segunda-feira, 21 de março de 2011

Psicose será???

Preciso do Sol, o Sol é lindo, eu quero calor, mas não posso, não posso ver o Sol.
- Que manhã linda! Vem ver o Sol! Não quero, aperto os olhos para escurecer o quarto, não quero esse brilho de luz na janela.
Eu tenho medo.
Os prédios parecem grandes demais, quem os fez assim?
Quanta coisa há escrita, que pensam as pessoas?
Os lixeiros carregam o lixo fedido, enquanto eu durmo e me reviro, para lá e para cá, despertando dos muitos pesadelos próprios dos sábados.
Olho os carros, para onde vão?
Há gente fodendo, há gente catando papelão para comer.
Há gente rezando, há gente matando.
Há gente bebendo, há gente negociando.
Há gente nos hospícios (tem lugar para mais um?), há gente pegando as mina nas baladas.
Há gente correndo, há gente doente nos hospitais.
Eu vejo os pais e as crianças no parque, e imagino todos gelados, estáticos, inexistentes. Era uma vez no parque.
Eu penso em meus olhos cansados, no que é o amor que eu não sei o que é. Eu não amo, ninguém ama.
Eu vejo e temo os caras de terno.
Quantas gotas de suor amargo carregam um rio?
Quanta vida há por aí, e quem vale alguma coisa?
Quanta coisa feia,
Quanta estupidez!
É estranho...
Vem aquela vozinha de novo, a vida é boa, aqueles dentes amarelos tímidos, ela é boa sim, pra quem sabe se enganar.

A margem de mim mesma

Sinto-me à margem de minha própria vida.
À margem dos amigos que deixei no passado (e as juras? onde moram agora? num túmulo florido?)
à margem dos amores doentios que me davam prazer, (eles sempre me deixaram à margem, eu já disse uma vez que sou masoquista, não?!)
à margem do meu trabalho, (palavrório, impotência, quem sou eu? um dinheirinho para sobreviver)
à margem de meus estudos (aonde isso vai me levar? queria poder errar menos; viver mais na realidade; sonho em ser uma escritora razoável, algum dia, talvez, mais que isso é ilusão)
à margem da minha família, (mãe, um beijo de café da manhã, amo você, queria ter tempo para dormir entre você e papai... eu ainda tenho medo... papai se pudesse quebraria todos os relógios do tempo, eu sei)
do meu garoto (vejo você como meu Jesus?)
também à margem da religião...
deixei de lado minha vida espiritual, não concordo com a idéia que a Igreja me oferece:
Jesus morreu por você; sofreu por você; foi chicoteado por você; martirizou-se para salvar a você...
E cruzes com sangue... coroa de espinhos.
é muito fácil notar que essa idéia de "liberte-se, você tem um salvador que sofreu por seus pecados" nos torna adoradores do sofrimento alheio.
quem é que não sorri tendo em vista seu bode expiatório? (finalmente, me explicaram o sentido dessa expressão)
acho que volto à velha concepção de que somos bem e mal, e sei que não devo explicar, vocês entendem.

Eu faço parte da pequena porcentagem

Escrevo porque escrever é o som mudo do meu grito de vida. Escrevo porque sei que um dia as letras me faltarão. Escrevo porque experimentei as palavras e me viciei nelas..

Escrevo porque não me basta olhar o girassol eu preciso olhar e compará-lo ao homem que acorda com o sol e adormece com a falta dele.
São as idéias escondidas atrás da imagem, são as entrelinhas que me chamam e todo o resto é superfície. Sou a pessoa que vê o cenário completo, faço parte da pequena porcentagem que caminha na direção oposta. Nem sempre foi assim e tenho a sensação de acordar depois de muito tempo na falta do sol, e não sei definir o que era sonho ou realidade. Então, escrevo minha imagem girassol. E “como um girassol à noite meus olhos procuram os seus, sol de outro lugar”, li isso em algum lugar e para mim diz muito além do que na verdade diz.
Tenho a impressão de ter vivido bem mais que uma vida, me lembro que passei boa parte da minha existência vivendo o sonho de outra pessoa, e acordei cansada, sentindo uma estranha angustia, uma dor no peito que subia até a garganta e desesperadamente chorei, acreditava que não mais viveria. O cansaço me venceu e adormeci, e dormindo novamente sonhei, acreditei que este era meu sonho mas o tempo passou e com ele meu credo, logo percebi que mais uma vez estava vivendo num sonho que não fazia parte dos meus. Não fazia sentido dormir e acordar, diferenciar sonho e realidade não censeguia, eu não estava feliz. Será que o dono do sonho estava? Eu não sei.
EM Dias de chuva eu sinto as vidas que ficaram sonhadas. Me ponho melancólica porque hoje caminho na claridade da realidade e não vou dizer que é melhor, mas pelo menos eu existo, me fiz real.
E quanto aos sonhos? Eu troquei-os por objetivos.
Não sei quantos caminhos precisarei caminhar e também não sei o que o amanhã trará, eu não sei de muitas coisas. Eu não sei, mas quero saber e é por isso que escrevo: Para estar aqui no meu sonho mesmo quando eu já não mais estiver.



Eu que adormeci no sonho alheio, me cansei e envelheci. Do encantamento? Acordei! 

Agonizando no equilibrio

  Eu me sinto tentada, e me revolto. Estou disposta a me libertar de mim mas a prisão a qual quero um lugar está congestionada e não cabe mais.
Estou vivendo o ensaio sobre a cegueira e o ensaio sobre a lucidez está se distanciando a cada dia que nos aproximamos, estou cega e absolvida e o que quero é bater a sua porta e dizer "prenda-me".
      Do baú dos chás inventados eu pego o chá do sonho mais doce e misturo    um toque de limão, tomo uma caneca e fico fora de órbita decidindo se permaneço ou pulo da ponte do impossível. Estou apaixonada e a loucura não tem asas. Permaneço.
      Os ecos do Toc Toc já silenciaram e ainda assim ouço. Ouço porque estou sempre viajando nas asas da poesia mais simples. Me encho de todas as formas de Tédio e preciso de conteúdo, penso em você e quase não me controlo, sou    toda Romance e meu roteiro está agonizando no equilibrio.
   Você não está aqui. Fato. Então, idiota que sou, mergulho na inventada solidão e tomo um chá de amor, pego o homem duplicado na minha biblioteca imaginária e me lembro das duas faces de janeiro e das frias flores de abril.
      Agora, apenas mais uma do clã da casa de chá.    E em tom de conversa discutimos um lugar chamado liberdade e no exagero das palavras entramos no paraíso veloz do drama e do desejo, nas palavras noturnas somos beleza e tristeza. Sempre no extremo entre a mentira e a ironia.
      Entre o pouco e o nada, fico com o nada.
      São ecos que perturbam a minha cabeça. Como que aconteceu? Eu não sei. Quem vai dizer tchau? ou tornar real? Quem vai? Na direção do seu caminho eu vou.
      Estou na travessia de Eva expulsa do paraíso do "eu",    e é um milagre a luz que vem de ti traz tudo o que eu sempre quis. Caramba, estou aqui e tenho a pressa que nunca tive. Quanto terei que esperar?

Uma garrafa de decisão, por favor

Tomei uma garrafa de decisão e fui. Fui unicamente para poder voltar. E quando voltava tomada de decisão parei na intenção de digerir os fatos. Então decididamente organizei as coisas todas, e separei tudo por partes, decidi primeiro o hoje sem preocupação com o amanhã. Desnudei os pés e andei mais solta e a leveza noturna me foi insustentável, e na batida do som pensei flutuar. As muitas faces desconhecidas que também estavam lá não pareciam tão libertas, seus rostos exibiam sorrisos felizes e seus corpos balançavam no mesmo ritmo da felicidade momentânea.

   Destilei sutilezas para escrever que não queria tolerar alguém que não me fizesse ter sentimentos incríveis, porque com todo o exagero queria sentir, queria morrer de amor e nascer no momento seguinte, queria o caos de quem ama, e a calmaria de quem é amado. E acima de tudo, o que eu queria ainda não queria sempre, e ainda não quero. 

À esperar pelo amor

A vida é uma linha reta assim como o tempo, não há como voltar.
      Quebro os relógios e queimo os calendários este é meu jeito de dizer que não tenho tempo, tenho pressa.
      Em liberdade aprendi que não se pode adiar a felicidade. Errei, e hoje    tenho em mim a pressa pois bem sei o preço a se pagar por cada dia adiado. Custa caro deixar para trás uma parte que da memória que nunca se apaga, a lembrança que está sempre à perturbar. Eu tive um coração que pacientou na mesma agonia de um paciente que esperava pela cura, e foi assim que morreu um    amor que esperava para viver. Não tenho tempo, o tempo que não vivi não me permite.
Tenho o hoje e o agora, este é o momento, o resto é relógio e calendário.
   Este é meu jeito sutil de dizer NÃO!
Eu não quero esperar pois nem sei quanto tempo do meu tempo eu ainda tenho. Do tempo tenho só pressa e como cantou Paula Toller "eu tenho pressa e tanta coisa me interessa mas nada tanto assim".
   Eu tenho pressa e dispenso as palavras. Palavras nunca dizem exatamente o que querem dizer, este é o problema...Dispenso as palavras porque elas não podem ser recolhidas, elas saem e não voltam nunca mais.Inimigas do bom senso. Por favor, ao sair    não se esqueça    de apagar a luz. São só palavras, estas que te sairam bailando dos punhos, elas estão por aí a solta    no baú da memória de um "quase" fazendo um AUÊ, desnecessário.
Eu não tenho tempo para decidir se pego atalhos ou sigo o mapa, afinal tudo levará ao mesmo lugar onde se encontra a insatisfação e a dúvida. Esta é a pilhéria da vida: o não saber. É só o tempo deixe-o passar. A vida não para mesmo que o relógio esteja quebrado.
Recolha suas palavras, e apague a luz.    Eu? -Bem, eu vou indo na minha linha reta.    Este é meu plano.

TENTEI e me descobri patética!
...mas nem se preocupe são só palavras, talvez eu chore    escondida ou talvez eu ria um pouco timida,tudo com imensa dor,    mas nunca e nunca mesmo irei morrer desidratada por chorar, então deixe estar...
   Um dia, não hoje, nem amanhã, talvez nem mesmo nos próximos anos do teu tempo, mas um dia, você se dará conta que o tempo passou e ainda está percorrendo os mesmos corredores vazios. E nem me culpe por não tentar, por não estar lá a cada esquina do teu tempo te lembrando que NÃO HÁ MAIS TEMPO...

Não tenho tempo e agora farei meu sinal com a mão pra te dizer "EU TENTEI" mas agora TCHAU!

Título desnecessário

Está certo que sempre fui do tipo que corre atras daquilo que ama,mas chega uma hora em que a gente tem que se sentir-se amada e procurada,até mesmo pelo cansaço de tanta corrida,tantas tentativas. Eu estou exausta.
Cansei-me de tanta confusão,isso é minha vida,e se eu não vive-la de um jeito que seja bom pra mim.Não será válida.O fato é que ja não sei distinguir o que,faço é bom do ruim,faço ou deixo de fazer,minha cabeça funciona do jeito mais incerto,meu coração então,mas louco que nunca!E nessas horas ainda cai sobre mim uma pressão imensa e até desnecessária,aqueles que não sabem o que passa aqui dentro,agem como se eu estivesse sendo indiferente.
A verdade é que parecem não se importar ,não parecem ver através de mim,como eu imaginei que poderiam..
Eu não estou mal,ja vivi momentos piores,ja senti dores mas amargas,hoje tenho apenas sequelas das dores passadas,são dores sim,mas posso suporta-las,queria apenas que enxergassem todas essa bagunça que tem sido para mim,poque eu vejo dentro de voces quando não estão bem,e não tenho me sentido com liberdade alguma de lhes dizer o quanto eu tenho coisas pra decidir,o quanto  eu estou incerta de tudo em minha vida.Sim,eu tenho quem me escute,quem me aconselhe de um jeito que me faz sentir maravilhosamente bem,mas ainda assim sinto falta.
                                          [...]

As palavras estão se misturando e meu coração  me forçando a escrever que sinto falta dele,muita falta dele e talvez essa falta tão grande é o que me faz estar tão confusa assim.isso não faz parte de nada que escrevi acima,pelo menos não diretamente,mas de alguma forma preciso botar pra fora a dor da saudade e escrevendo posso transportar uma quantidade mínima da mesma,para cada letra digitada,tolice ou não alivia o meu coração.