sábado, 30 de julho de 2011

Calma, vai passar...

Calma, vai passar...
Olha... não fique assim não, vai passar. Eu sei que dói e que é horrível. Eu sei que parece que você não vai aguentar, mas aguenta. Sei que parece que vai explodir, mas não explode. Sei que dá vontade de abrir um zíper nas costas e sair do corpo porque dentro da gente, nesse momento, não é um bom lugar para se estarFernando Pessoa escreveu, num momento parecido, "hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu. Dor é assim mesmo, arde, depois passa. Que bom. Aliás, a vida é assim: arde, depois passa.
Que pena. A gente acha que não vai aguentar, mas aguenta: as dores da vida. Pense assim: agora está insuportável, agora você queria abrir o zíper, sair do corpo, encarnar numa samambaia, virar um paralelepípedo ou qualquer coisa inanimada, anestesiada, silenciosa. Mas agora já passou. Agora já são dez segundos depois da frase passada. Sua dor já é dez segundos menor do que duas linhas atrás.
Você acha que não, porque esperar a dor passar é como olhar um transatlântico no horizonte estando na praia. Ele parece parado, mas aí você desvia o olho, toma um picolé, lê uma revista, dá um pulo no mar e quando vai ver o barco já está lá longe. A sua dor agora, essa fogueira na sua barriga, essa sensação de que pegaram sua traquéia e seu estômago e torceram como uma toalha molhada, isso tudo é difícil de acreditar, eu sei vai virar só uma memória, um pequeno ponto negro diluído num imenso mar de memórias. Levante-se daí, vá tomar um picolé, ler uma revista, dar um pulo no mar. Quando você for ver, passou.

Agora não dá mesmo pra ser feliz. É impossível. Mas quem disse que a gente deve ser feliz sempre? Isso é bobagem. Como cantou Vinícius de Moraes: É melhor viver do que ser feliz. Porque pra viver de verdade a gente tem que quebrar a cara. Tem que tentar e não conseguir. Achar que vai dar e ver que não deu. Querer muito e não alcançar. Ter e perder.

Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e dizer uma coisa terrível, mas que tem que ser dita. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e ouvir uma coisa terrível, que tem que ser ouvida. A vida é incontornável. A gente perde, leva porrada, é passado pra trás, cai. Dói, nem fala eu sei como dói. Mas passa.

Tá vendo a felicidade ali na frente? Não, você não tá vendo, porque tem uma montanha de dor na frente. Continue andando. Você vai subir, vai sentir frio lá em cima, cansaço. Vai querer desistir, mas não vai desistir, porque você é forte e porque depois do topo a montanha começa a diminuir e o único jeito de deixá-la pra trás é continuar andando.
Você vai ser feliz

Tá vendo essa dor que agora samba no seu peito de salto de agulha? Você ainda vai olhá-la no fundo dos olhos e rir da cara dela. Juro que tô falando a verdade. Eu não minto. Vai passar.

Só

E agora? o que se faz com o coração partido? Com a cicatriz que parece que nunca cicatriza? e com machucado que dói como nunca nada doeu antes? E o vazio? quem preenche ele? E essa falta? Quem vai curar essa minha solidão?
Quanto mais procuro respostas, com mais perguntas termino minha análise de vida. Sempre tento entender o porque que minha vida está de cabeça pra baixo, e o porque que eu tenho que passar por isso.
Deus sabe de todas as coisas. Sabe os motivos e as minhas respostas. Mas parece que ele me esquece. E que eu sou apenas mais um animal indefeso e em perigo em meia tanta gente maldosa e fria. Magoada, quebrada, sem esperanças de que a vida mude, eu continuo respirando e tentando aos poucos encontrar um caminho certo a seguir. Apesar de que meu destino tenha apenas um caminho. No qual eu mesma tenho que fazer a bifurcação. Mais eis ai a questão. Outro caminho? para onde? onde irei? Caminhar para o meu sonho? Batalhar nesse caminho para aquilo que sempre quis? Ou simplesmente mais um caminho? Um caminho sem sentido, onde irá dar num beco sem saída? onde lá encontro meus medos, minhas angustias, e minhas lágrimas que tantas já derramei?
Me sinto confusa, e perdida num lugar onde nem eu mesma sei o nome. Onde tudo é complexo e todos só se importam consigo mesmo. Opá espera. Eu sei o nome desse lugar. Esse lugar se chama Lar. minha própria casa. Não tenho paz. E a paz que tenho, não é tão grande, capaz de dar um jeito em minha tristeza. E a melancolia? ram, bom, com ela eu aprendo a viver, ela não é uma das melhores, mais ela é a unica que eu sei, que não me deixa nem tão cedo. Nem mesmo, quando eu quero que ela me deixe.

Da pra matar a dor?!

Eu tento. Eu juro que tento. De todas as maneiras possiveis. Mas parece que nada é o suficiente. Parece que eu nunca sou o suficiente. Nunca boa o bastante pra alguém. Excluida, esquisita, estranha e chorona, essa garota tem sentimentos. Nos quais muitos esquecem, e a deixam. Deixam ela sozinha, e ela com medo, pede ajuda a todos, e todos se recusam a ajuda-la. Ela corre, ela foge, ela faz de tudo pra sair daquele lugar onde a deixaram. Mas ela não consegue. Ela grita, ela se machuca, ela se corta, ela faz de tudo, pra fazer a dor de ser abandonada e trocada parar. Mas de nada tudo isso adianta. E ela sangra. Não por fora e sim por dentro. Sangra por estar solitária mais uma vez Por ninguém ter sentido sua falta.. E ver que quem mais amou nunca lhe amou da mesma maneira. E ela chora. Chora por medo. Por frio. Pelo simples motivo de querer um abraço e ninguém está ao lado para abraça-la. Ela faz do silencio da solidão todas as suas palavras. Palavras quais choro e os soluços não a deixava falar. Palavras quais, a muito tempo ela queria dizer, queria gritar ao mundo. Mas as lágrimas que escorriam de seu rosto não deixava. E então ela as traduziu no silêncio da ausência das pessoas que ama. Das pessoas que prometeram nunca a deixar. Que disseram que ela, era perfeita e que nunca nada iria fazer ela perder seu brilho. Tais pessoas não mentiram quando disseram isso. Realmente ela não perdeu seu brilho. Ela o guardou. No mais profundo local de sua alma. E ao invés de brilhar por fora. Ela começou a brilhar por dentro. E mesmo machucada e ferida, ela sorria. E seu brilho cada vez ficava mais forte. Fazendo aquela menina assustada e perdida, ficar madura.
Ela tentou mais uma vez fugir de tudo aquilo. Mas não conseguiu de novo. Mas não desistiu. Mesmo tendo noites e noites de lágrimas, onde os únicos que viam essa sua dor, era seu travesseiro. No qual absorvia todo seu pranto. E quanto mais sentia sua dora, mais chorava, querendo fazer ela sair junto com suas lágrimas. Mas sim. Mais uma tentativa em vão. E presa no seu próprio mundo, ela não aguentou mais sua própria dor, e de amor e solidão, ela se suicidou.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Para quem me odeia

Eu te amo. E não seria metade do que sou sem você, juro.
É seu ódio profundo que me dá forças para continuar em frente, exatamente da minha maneira.
Prometa que nunca vai deixar de me odiar ou não sei se a vida continuaria tendo sentido para mim.
Eu vagaria pelas ruas insegura, sem saber o que fiz de tão errado.
Se alguém como você não me odeia, é porque, no mínimo, não estou me expressando direito.
Sei que você vive falando de mim por aí sempre que tem oportunidade, e esse tipo de propaganda boca a boca não tem preço.
Ainda mais quando é enfática como a sua - todos ficam interessados em conhecer uma pessoa que é assim, tão o oposto de você.
E convenhamos: não existe elogio maior do que ser odiado pelos odientos, pelos mais odiosos motivos.
Então, ser execrada por você funciona como um desses exames médicos mais graves, em que "negativo" significa o melhor resultado possível.
Olha, a minha gratidão não tem limites, pois sei que você poderia muito bem estar fazendo outras coisas em vez de me odiar - cuidando da sua própria vida, dedicando-se mais ao seu trabalho, estudando um pouco.
Mas não: você prefere gastar seu precioso tempo me detestando.
Não sei nem se sou merecedora de tamanha consideração.
Bom, como você deve ter percebido, esta é uma carta de amor.
E, já que toda boa carta de amor termina cheia de promessas, eis as minhas:
Prometo nunca te decepcionar fazendo algo de que você goste. Ao contrário, estou caprichando para realizar coisas que deverão te deixar ainda mais nervoso comigo.
Prometo não mudar, principalmente nos detalhes que você mais detesta. Sem esquecer de sempre tentar descobrir novos jeitos de te deixar irritado.
Prometo jamais te responder à altura quando você for, eventualmente, grosseiro comigo, ao verbalizar tão imenso ódio. Pois sei que isso te faria ficar feliz com uma atitude minha, sendo uma ameaça para o sentimento tão puro que você me dedica.
Prometo, por último, que, se algum dia, numa dessas voltas que a vida dá, você deixar de me odiar sem motivo, mesmo assim continuarei te amando. Porque eu não sou daquelas que esquece de quem contribuiu para seu sucesso.
Pena que você não esteja me vendo neste momento, inclusive, pois veria o meu sincero sorrisinho agradecido - e me odiaria ainda mais.

Com amor, da sua eterna."

ps:ate hj,eel vem fala comigo,e jura que ainda seremos um do outro,rs.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Pré-requisitos

Ficar na moita, só e em silêncio faz abrir a mente e o coração, e escutar batida por batida, cada neurônio dizer o que realmente almeja. Eu quero ouvir umas boas músicas anos oitenta, quero olhar a lua, dia após dia, e acompanhar suas mudanças, nuances e a sua delicadeza. Eu quero que a minha bipolaridade se amenize, que os efeitos não sejam tão radicais, e cortantes. Eu quero casar de véu, grinalda e vestido branco, numa igreja pequenininha, mesmo que não agora. Quero uma massagem nos pés, e massager as mãos, costas e pescoço de alguém, só para emilinar de vez toda essa minha força e raiva, essa repressão sentimental que acometo comigo mesma, quero ver o mar e sentir a areia, deixar o sol penetrar na minha pele, e bronzear, quero a sincronicidade dos relacionamentos, umas pistas do destino e ver tudo às claras, tudo às boas. Eu quero me manter no papel de mulher independente, quero a cura da minha instabilidade emocional, e descer às vezes, quando necessário dessa minha montanha russa que intitulo, vida.
Eu quero ao meu lado as pessoas que exalem a exentricidade, gente louca, pessoal estranho que eu possa me aprofundar, crescer e rir numa boa. Quero agora, ou nunca mais. Now or never. Oito ou oitenta.
Eu quero demonstrar interesse sincero, quando possível e não desse meu jeito intenso e reacionário, quero tudo por completo; nada de restos, ou pedacinhos, migalhas. Eu quero a fé. Eu quero um pequeno apartamento, e viajar pelo mundo! Quero a sensibilidade dos corações partidos, e transpor tudo isso pro papel. Eu quero ohana, quero família, famiglia. Quero nunca mais abandonar, nem esquecer. Eu quero livros, seus sebos, mofos, traças e complexidades. Eu quero o charme, o encanto e a sedução; tudo isso é essencial. Quero declarações inesperadas, totalmente irrompidas de preceitos e vergonhas, na cara e na coragem. Eu quero observar, e não falar nada. Porque não é preciso. Quero a simplicidade (pra que muito?). Eu quero a auto-suficiência em amizades. Eu quero que as minhas atitudes independam da de qualquer pessoa, para que tudo que faça, sinta e veja sejam verdadeiramente eu. Eu quero que não te preocupes, porque embora o mundo esteja assim às avessas e sucumbido de modernidade, tudo ainda é natural. Como dizia Caio, se for pra gente se encontrar, a gente se encontra. Aqui ou na China.

Dilacera mas passa

Chorei. Assim como vinha deixando que o berreiro se fizesse vivo, dei início à sessão das lágrimas na lotação, ao olhar a chuva que caía na janela, e a tarde de sentimentos estranhos e intrínsecos. Bem verdade que vinha me emocionando com facilidade, e sem motivo aparente. Com reportagens banais, e músicas melancólicas. Nos livros que tenho lido, e no escuro, sozinha e imersa na minha tristeza que nem ao menos consigo compreender. Com soluços. Sem pausas. Extirpando toda essa dor que vem, e não passa, e quando vira felicidade, de tão aguda, se torna insuportável. Quase um sentimento hemofílico, que não estabiliza nunca: quando começa a cicatrizar, não processa bem; é ferida aberta, cutucada. Mais uma vez, solitária no mundo, sentada sem vista pra rua, com essa incompreensão no peito e uma angústia que não desgruda de vez. Enquanto todos me dizem que preciso ser forte, que o silêncio é arma, a indiferença é o que mata, e viver é preciso, meu único pensamento é em comprar passagens aéreas e sumir pelo mundo. Deliberar sem mais recados, fugir de toda essa loucura que acomete as pessoas, o medo nojento que os outros têm de dar amor, e receber também em troca. O amor é essa ciranda onde todos rodeiam, e cantam, exibem sorrisos e feições de satisfação, em que eu me encontro excluída, sentada num canto, de braços cruzados e cara amarrada. Ninguém me convida, e fico apenas atenta, observando os casais que se completam, a vida que se move, e os beijos que não dou, as juras eternas que não escuto. Fujo algumas vezes, tapo os olhos em outras, mas a roda incessante e desgovernada apenas brinca de bobinho comigo e minha esperança em ser chamada; garotinha tola que quer se divertir um pouco, e não sabe entrar - apenas pedir, pedir e pedir, nunca penetrando de vez. Se deixando iludir por cartas, e signos, mensagens inoportunas, sinais divinos, que na verdade dizem nada e fantasiam qualquer dúvida posta em questão.Fica difícil assim me focar em mim de imediato, em tudo que sinto, em curar a cada dia toda essa peste que me tomou o alma, e embeveceu a vivacidade que eu carreguei, até aqui: só se vê os defeitos, aquilo que precisa ser melhorado, e expectativas tão longínquas, que não satisfazem, e sim, enlouquecem. Só quando sozinha é que me deixo ficar meio down, e coloco o dedo na ferida. Escuto músicas sofríveis, e leio melancolias. Dói, mas passa. E esse desespero de me verem assim na fossa, mal à beça? Calma, que preciso escancarar essa dor até o final, que ela é só minha, e libertar o peito, a alma, o cuore. Tirar talvez um ódio de onde não consigo, e de quem não tenho, mesmo que passageiro, para que eu sobreponha no local onde ainda há quase tudo o que sinto, e que precisa ser esvaziado, pouco a pouco. Sair desse poço, largar de vez o osso, desses restos que não alimentam, e sim, atrofiam o que de belo existia, e se queria profundamente. Porque logo chega setembro, e toda uma primavera virá, até que se torne verão novamente. Terá passado tanto tempo, que as respostas chegarão sem medo e nem culpa, e voltarei a ser inteira como fui até certo tempo. Sem voltas comemoradas, e inexplicáveis. Sem apagar do caderno, mas riscar por cima o nome; ter astúcia suficiente de virar mais essa página pesarosa Sem mais chances, que depois da segunda, a terceira não tem argumentos para vingar. É topando em pedras, que vislumbramos com mais atenção as flores que nascem, as gotas de orvalho da grama, a raiz de tudo. Desde os sentimentos mais profundos, profanos, ao mundo.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Mas a merda do romance sempre acaba fazendo parte em minha vida

E embora eu sempre tenha tido consciência de quantas horas do meu dia eu gastava pensando em tudo o que poderia ter sido e não era, nem sempre meu romance foi voluntário . Nem sempre eu acordo linda e penteada pronta pra viver a mentira cor-de-rosa que eu me pus vivendo dentro . Nem sempre eu sou só sorrisos, obrigadas e com licenças . Nem sempre tenho vontade de ser a boa samaritana e talvez a verdade é que eu nunca tenha sido boa de verdade . Nem sempre eu quero ser delicada e às vezes eu me sinto um cachorro com raiva espumando minha frustração na cara de todo mundo que me enganou . Nem sempre eu tenho saco pra ser poser porque às vezes por dentro não passa de lixo e isso, o pankake não cobre e o photoshop não arruma . E você é só mais um pretexto pra eu poder chorar em paz . Você é só mais um que entrou e saiu dessa vida e esse final só vai ser mais um dos meus finais, nem tão triste e não tão tranqüilo, bem assim como foram todos os outros . E no final das contas, os finais todos são só meus, e à cada um deles é um pouco de mim que se vai . E paradoxalmente, a força se esgota enquanto eu me descubro o ser mais forte do universo ; e a vontade vira frigidez ao mesmo tempo que os hormônios transpiram todos os meus desejos não realizados, todas as promessas não cumpridas . E eu não chorei a sua falta de caráter, eu chorei a minha falta de perspicácia . Eu olhei pro mural no meu quarto e percebi que a pessoa que participou dessa babaquice toda foi a menina de trança e uniforme escolar que está lá mesmo, no mural, e não a mulher de caneta na mão e agenda corrida que está na minha frente no espelho . E foi nessa hora de pensamentos vagos que me ocorreu que a vida era muito mais complexa do que essa relação inexistente, eu sempre fui muito mais complexa do que qualquer tipo de relação que eu tenha tido com qualquer pessoa . Minha complexidade sempre me afastou de você, e de todos os outros também . E eu não vou ficar me explicando porque um dos preceitos básicos da minha complexidade é me complicar mais a cada vez que tento a proeza de me decifrar . Sempre me disseram que só os mais fortes sobrevivem e você me fez decidir abandonar minha postura otimista, a partir de agora eu vou com o fluxo . O amor é uma mentira, agradeço à todos aqueles que me enganaram . Obrigada