ESSE TIPO DE GENTE
Acredito que todo mundo uma vez na vida já teve uma amiga invejosa, ou que quisesse puxar seu tapete, ou que desse em cima do seu namorado. Ou que, simplesmente fosse uma pessoa que se dizia sua amiga mas não era. Ou aquela “amiga” que parecia um corvo de filme de terror e tudo que você contasse pra ela dava errado. Já teve uma amiga assim? Então você sabe do que eu estou falando.
Tem gente que não sei. Tem uma energia ruim. Não sei explicar. Tudo na vida da pessoa dá errado. A vida dela parece um inferno. A casa já foi roubada. O irmão morreu afogado. A mãe tem problemas com drogas. O carro, já bateu duzentas vezes. A placa foi clonada. A cabeleireira errou na química e destruiu o cabelo. Tudo – mas tudo – acontece com ela. Namorado, já trocou cinco vezes no ano e nada dá certo ou vai pra frente. Doença é uma por semana. É um verdadeiro mau agouro a vida da pessoa.
E esse tipo de gente, não sei. De novo, não sei. Parece que esse tipo de pessoa atrai coisa ruim. Atrai doença, desastre, acidente. Já conheci três pessoas assim na vida. E elas espalham o mau agouro por onde vão. As coisas vão dando errado pro resto da família. Como um dominó que vai derrubando um por um em seguida.
Esse tipo de gente negativa geralmente faz amizades por motivos diferentes dos nossos. Não, elas não querem a nossa companhia. Não precisam dos nossos conselhos. Elas simplesmente precisam da gente. Precisam da gente pra ouvir seus lamúrios e reclamar da vida. E o pior: elas querem te ver reclamar. Não, elas não agüentam te ver feliz. Não, elas não admitem que nada dê certo na sua vida. Sim, elas vão sempre ver o lado negativo de tudo – absolutamente tudo – que você comentar que vai fazer. Elas estão sempre te dando conselhos pra te fuder e te ver no fundo do poço (mas na hora que você está precisando de conselho, você não consegue perceber isso).
Esse tipo de gente adora te ouvir. São capazes de te ouvir por horas se você quer reclamar ou lamentar a vida. Vão te ouvir eternamente se você quer falar mal dos homens, ou do quanto sua vida anda ferrada ou do tanto que você se deu mal no novo emprego. Ou simplesmente falar mal de algo ou de alguém. Mas não ouse falar do tanto que seu trabalho novo é incrível, que sua amiga nova é legal ou que seu namorado é bacana. Você vai ouvir um “que bom” ou simplesmente um pitaco errado. Um palpite sobre algo, mesmo que elas não façam a mínima idéia do que estão falando. Sim, elas entendem de todos os temas do universo. E sempre acham um defeito em tudo. Tu-do. Essas pessoas têm uma lente de aumento que funcionam só pras coisas ruins. Um amplificador de desgraças.
De gente assim, já deu pra mim. Cansei de compartilhar a infelicidade alheia, até mesmo quando a infelicidade nem existia. Cansei de ver o alheio querendo refletir sua infelicidade em mim. Cansei de ouvir que “não vai dar certo”, que “você não está bem”, que “não é pra você”. Essas pessoas são suas melhores amigas quando você está na lama. Conhecem, de cor, uma lista de remédios pra depressão e vão falar que você precisa de pelo menos uns três desses. Mas elas não querem resolver o seu problema, não suportariam te ver feliz. Elas só precisam de companhia pro problema delas.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
CASA, COMIDA E CAFÉ COADO
CASA, COMIDA E CAFÉ COADO
“Por isso que esses moços de hoje não querem se casar. Essas moças de hoje não sabem coar um café”. E de repente, anos e anos de indagação se resolviam de uma forma simples e objetiva. Meu avô acabava de pronunciar a sábia frase que respondia a grande questão que assola o universo feminino. E, sabe de uma coisa? Se pararmos pra pensar, meu avô está certo.
Antigamente casamento tinha um outro sentido. Na época dos meus avós, casamento era pra sempre. A mulher parava de trabalhar, de estudar ou de fazer qualquer coisa que fosse, pra se casar e virar esposa. Não havia outro sentido pra vida que não fosse aquele. Ser mãe e esposa. E era por isso que os homens se casavam. Pra ter quem cuidasse da casa enquanto eles trabalhavam pra sustentar a família. A mulher ficava em casa “coando café” e cuidando dos filhos enquanto o marido saía. Pra trabalhar ou pra sei lá o que fosse.
Até que um belo dia, a mulher plantou o pé no saco de café e resolveu sair de casa pra trabalhar. E se fudeu. A mulher passou a ter que trabalhar, cuidar dos filhos, cuidar da casa. E coar o café. Só que agora, o café é pra ela. O homem ficou meio perdido no meio dessa história. E o casamento como conhecíamos perdeu a razão de existir.
No fundo, bem lá no fundo, eu acredito que todo homem pensa que “Amélia é que era mulher de verdade”. E que a esposa ideal é aquela meio burrinha que acredita que a marca de batom na camisa é molho de tomate. Aquela que acha lindo quando ele diz que chegou às onze em casa porque estava numa reunião (mesmo não entendendo o cheiro de cerveja e perfume barato no sujeito). Um cidadão uma vez me disse que “mulher feliz é mulher ignorante”. É meio que isso. Aquelas tapadas que acreditam no molho de tomate na camisa.
Uns cinco ou seis anos atrás, li numa Veja uma pesquisa que dizia mais ou menos a mesma coisa. Que os casamentos que davam mais certo eram aqueles entre homens com QI mais alto com mulheres com QI mais baixo. Não só o QI, mas escolaridade, classe social e alguns quesitos do tipo contavam. Em resumo: casamento que dá certo é aquele em que um bonzão-fodão se casa com uma anta-tapada. Ou seja, um cidadão muito foderástico com uma topeira total tem chance de ficar anos e anos casados. Um cidadão foderástico com uma cidadã igualmente foderástica, as chances de dar certo são tipo nulas. Acontece que as antas e topeiras estão cada vez mais perto de entrar em extinção. E o casamento idem.
Existem ainda aquelas que se fazem de sonsas pra manter o casamento, mas de sonsa não têm nada. Não sei. Eu não teria tanto sangue frio. E acho que comigo não funcionaria. Ao primeiro sinal que me desagradasse, a casa ia cair. Nunca me imagino casada cuidando de filho enquanto meu marido passa o final de semana na rua. Sabe as chances disso? Nulas. Negativas. Zero. Tenho dó de quem vive isso. De verdade mesmo que tenho. Acho que ninguém consegue ser feliz assim. O casamento feliz hoje tem um novo conceito. A mulher deixou de ser aquela que fica em casa coando o café e passou a ser companheira do homem. E nem todo homem entendeu isso ainda. A maioria ainda procura a Amélia. A ignorante feliz. Tenho um pouco de dó. Dos homens, claro. Porque eles estão procurando uma coisa difícil de se achar hoje em dia. Melhor comprarem um coador de café logo.
“Por isso que esses moços de hoje não querem se casar. Essas moças de hoje não sabem coar um café”. E de repente, anos e anos de indagação se resolviam de uma forma simples e objetiva. Meu avô acabava de pronunciar a sábia frase que respondia a grande questão que assola o universo feminino. E, sabe de uma coisa? Se pararmos pra pensar, meu avô está certo.
Antigamente casamento tinha um outro sentido. Na época dos meus avós, casamento era pra sempre. A mulher parava de trabalhar, de estudar ou de fazer qualquer coisa que fosse, pra se casar e virar esposa. Não havia outro sentido pra vida que não fosse aquele. Ser mãe e esposa. E era por isso que os homens se casavam. Pra ter quem cuidasse da casa enquanto eles trabalhavam pra sustentar a família. A mulher ficava em casa “coando café” e cuidando dos filhos enquanto o marido saía. Pra trabalhar ou pra sei lá o que fosse.
Até que um belo dia, a mulher plantou o pé no saco de café e resolveu sair de casa pra trabalhar. E se fudeu. A mulher passou a ter que trabalhar, cuidar dos filhos, cuidar da casa. E coar o café. Só que agora, o café é pra ela. O homem ficou meio perdido no meio dessa história. E o casamento como conhecíamos perdeu a razão de existir.
No fundo, bem lá no fundo, eu acredito que todo homem pensa que “Amélia é que era mulher de verdade”. E que a esposa ideal é aquela meio burrinha que acredita que a marca de batom na camisa é molho de tomate. Aquela que acha lindo quando ele diz que chegou às onze em casa porque estava numa reunião (mesmo não entendendo o cheiro de cerveja e perfume barato no sujeito). Um cidadão uma vez me disse que “mulher feliz é mulher ignorante”. É meio que isso. Aquelas tapadas que acreditam no molho de tomate na camisa.
Uns cinco ou seis anos atrás, li numa Veja uma pesquisa que dizia mais ou menos a mesma coisa. Que os casamentos que davam mais certo eram aqueles entre homens com QI mais alto com mulheres com QI mais baixo. Não só o QI, mas escolaridade, classe social e alguns quesitos do tipo contavam. Em resumo: casamento que dá certo é aquele em que um bonzão-fodão se casa com uma anta-tapada. Ou seja, um cidadão muito foderástico com uma topeira total tem chance de ficar anos e anos casados. Um cidadão foderástico com uma cidadã igualmente foderástica, as chances de dar certo são tipo nulas. Acontece que as antas e topeiras estão cada vez mais perto de entrar em extinção. E o casamento idem.
Existem ainda aquelas que se fazem de sonsas pra manter o casamento, mas de sonsa não têm nada. Não sei. Eu não teria tanto sangue frio. E acho que comigo não funcionaria. Ao primeiro sinal que me desagradasse, a casa ia cair. Nunca me imagino casada cuidando de filho enquanto meu marido passa o final de semana na rua. Sabe as chances disso? Nulas. Negativas. Zero. Tenho dó de quem vive isso. De verdade mesmo que tenho. Acho que ninguém consegue ser feliz assim. O casamento feliz hoje tem um novo conceito. A mulher deixou de ser aquela que fica em casa coando o café e passou a ser companheira do homem. E nem todo homem entendeu isso ainda. A maioria ainda procura a Amélia. A ignorante feliz. Tenho um pouco de dó. Dos homens, claro. Porque eles estão procurando uma coisa difícil de se achar hoje em dia. Melhor comprarem um coador de café logo.
O QUE QUEREM AS MULHERES
O QUE QUEREM AS MULHERES
Desde que o mundo é mundo, nós mulheres tentamos entender os homens. Tentamos minimizar as diferenças descobrindo o que se passa na cabeça desses outros seres tão diferentes da gente. Na maioria das vezes, caímos em estereótipos do tipo “homem é assim”, “mulher é assado” e limitamos toda a humanidade dentro das nossas próprias percepções do mundo. Como se nossa percepção fosse única e absoluta.
Eu ando treinando o “desestereótipo”. Treinando ver o mundo de outra forma. Explico: não é porque eu comi uma maçã podre do pacote que todas estão podres (como eu achava até então). Ando tentando ouvir com menos atenção os casos corriqueiros de homens cafajestes e dando mais importância aos raros casos de homens do bem. Sim, eles existem. E quando minhas amigas começam com “ah, é porque homem é assim mesmo” eu ligo o mute interno e começo a pensar na lista de maquiagens que quero adquirir no momento. Não, gente, homem não é “assim mesmo” e eu cansei de engolir esse papo. Tem mulher pirigueti, tem mulher do bem. Tem homem babaca e tem homem do bem. É exceção? Pode ser. Mas existe. O grande lance é que não dá pra julgar por antecipação. Aquele cidadão bom moço pode te decepcionar e aquele outro que você não dava nada por ele pode te surpreender.
E enquanto nós, mulheres, não entendemos os homens (e nem eles entendem a gente), acho que deveríamos ser mais claras no que queremos, ao invés de fazer joguinho. Grande parte dos homens não tem criatividade ou sequer paciência pra ficar decifrando nossos códigos. Ao contrário da gente que acha que tudo que eles falam são códigos secretos e querem dizer muito mais do que o que foi dito. (Eu já superei essa fase da interpretação faz tempo, mas tenho amiga que interpreta cada palavra que o cidadão fala).
Ainda vamos demorar pra decifrar o que os homens querem. Mas entender o que nós queremos não é nem um pouco complicado se eles prestarem atenção. Não queremos anel de brilhante. Um anelzinho de papel de bala feito na hora resolve nosso problema. Não queremos dormir num palácio, só queremos deitar a cabeça num ombro que nos acolha. Não queremos a presença física o tempo todo, mas queremos saber com quem podemos contar se precisarmos. Não queremos a senha do email, mas queremos alguém em quem possamos confiar de verdade. Não queremos vigiar o celular, mas queremos alguém que não nos surpreenda com telefonemas suspeitos. Queremos alguém com quem possamos passar nosso aniversário. Passar o Natal. O reveillon. A vida. Queremos alguém que nos inclua nos planos, ainda que esse plano seja apenas a comemoração de alguma coisa banal. Queremos alguém pra quem não tenhamos que contar nada, pois esse alguém simplesmente sabe porque faz parte da nossa vida. Queremos alguém cuja prioridade é a própria vida, porém a própria vida nos inclui. O que nós, mulheres, queremos é tão simples que esse texto nem precisaria existir pra explicar isso. Tão simples que parece tão óbvio. Mas não é. Ainda existem homens que ignoram o básico. Alguns. Não são todos. Porque, como eu estava dizendo, os homens não são todos iguais.
Desde que o mundo é mundo, nós mulheres tentamos entender os homens. Tentamos minimizar as diferenças descobrindo o que se passa na cabeça desses outros seres tão diferentes da gente. Na maioria das vezes, caímos em estereótipos do tipo “homem é assim”, “mulher é assado” e limitamos toda a humanidade dentro das nossas próprias percepções do mundo. Como se nossa percepção fosse única e absoluta.
Eu ando treinando o “desestereótipo”. Treinando ver o mundo de outra forma. Explico: não é porque eu comi uma maçã podre do pacote que todas estão podres (como eu achava até então). Ando tentando ouvir com menos atenção os casos corriqueiros de homens cafajestes e dando mais importância aos raros casos de homens do bem. Sim, eles existem. E quando minhas amigas começam com “ah, é porque homem é assim mesmo” eu ligo o mute interno e começo a pensar na lista de maquiagens que quero adquirir no momento. Não, gente, homem não é “assim mesmo” e eu cansei de engolir esse papo. Tem mulher pirigueti, tem mulher do bem. Tem homem babaca e tem homem do bem. É exceção? Pode ser. Mas existe. O grande lance é que não dá pra julgar por antecipação. Aquele cidadão bom moço pode te decepcionar e aquele outro que você não dava nada por ele pode te surpreender.
E enquanto nós, mulheres, não entendemos os homens (e nem eles entendem a gente), acho que deveríamos ser mais claras no que queremos, ao invés de fazer joguinho. Grande parte dos homens não tem criatividade ou sequer paciência pra ficar decifrando nossos códigos. Ao contrário da gente que acha que tudo que eles falam são códigos secretos e querem dizer muito mais do que o que foi dito. (Eu já superei essa fase da interpretação faz tempo, mas tenho amiga que interpreta cada palavra que o cidadão fala).
Ainda vamos demorar pra decifrar o que os homens querem. Mas entender o que nós queremos não é nem um pouco complicado se eles prestarem atenção. Não queremos anel de brilhante. Um anelzinho de papel de bala feito na hora resolve nosso problema. Não queremos dormir num palácio, só queremos deitar a cabeça num ombro que nos acolha. Não queremos a presença física o tempo todo, mas queremos saber com quem podemos contar se precisarmos. Não queremos a senha do email, mas queremos alguém em quem possamos confiar de verdade. Não queremos vigiar o celular, mas queremos alguém que não nos surpreenda com telefonemas suspeitos. Queremos alguém com quem possamos passar nosso aniversário. Passar o Natal. O reveillon. A vida. Queremos alguém que nos inclua nos planos, ainda que esse plano seja apenas a comemoração de alguma coisa banal. Queremos alguém pra quem não tenhamos que contar nada, pois esse alguém simplesmente sabe porque faz parte da nossa vida. Queremos alguém cuja prioridade é a própria vida, porém a própria vida nos inclui. O que nós, mulheres, queremos é tão simples que esse texto nem precisaria existir pra explicar isso. Tão simples que parece tão óbvio. Mas não é. Ainda existem homens que ignoram o básico. Alguns. Não são todos. Porque, como eu estava dizendo, os homens não são todos iguais.
POR FAVOR, NÃO ME AME
POR FAVOR, NÃO ME AME
Dizem que as mulheres que passam dos trinta ficam desesperadas pra casar. Dizem. Ninguém diz nada dos homens. Ou melhor, não diziam. Porque, agora, eu vou dizer. Cansou minha beleza esse papo de mulheres desesperadas, afobadas e apressadas pra casar com o primeiro que aparecer. O que eu tenho visto por aí é muito diferente disso. Os homens estão desesperados à procura de uma mulher bacana pra namorar. Pra namorar, que fique claro. Porque pro resto está sobrando.
Com o tanto de mulher fácil que tem por aí, os homens estão ficando mais seletivos e – acreditem – querendo um relacionamento sério com uma pessoa só. Quando sexo era artigo de luxo, sexo prendia um homem a uma mulher. Hoje em dia, sexo eles conseguem na primeira noite, então os critérios de seleção passaram a ser outros. E com o tanto de mulher dada por aí, os homens pararam de procurar sexo (porque sexo ta em promoção na banca da feira) e começaram a procurar um relacionamento. Relacionamento sério hoje em dia virou o novo artigo de luxo.
Criamos a carência masculina. Homens saturados de noites calientes e camas vazias. Homens que cresceram como bebês chorões e pidões. Cidadãos que te ligam vinte vezes no dia seguinte e não querem desligar o telefone (isso não era coisa de mulher?). Cidadãos que querem namorar antes mesmo de te conhecer direito. Estamos provando do nosso próprio veneno. Gostamos? Ainda é cedo pra avaliar. Mas já é fato que não são mais as mulheres que estão desesperadas depois dos trinta.
O cidadão já quer te conhecer te enchendo de perguntas indiretas pra saber se você vai ser a futura mãe dos filhos dele. Oi??? Por que você ta me perguntando se eu quero ter filhos, meu filho? Já ta na hora desse assunto? Ele já te inclui no próximo final de semana e nas férias dele. Oi??? Não ta indo muito rápido? Nem sei se eu quero nada sério com você. Não importa. Ele quer. Antes mesmo de te conhecer, ele quer um relacionamento sério. Na cabeça dele, ele cria a mulher ideal. Aí escolhe uma pra vestir o personagem criado por ele e pronto. Achou a mulher ideal – ele pensa. Tamanha a afobação.
Quando eu era bem nova (não faz muito tempo, ta?!), existia um livro chamado “Por favor, não me ame”. Nunca cheguei a ler esse livro e hoje em dia não está mais à venda. Mas acredito que quem escreveu aquele livro me entenderia hoje. Não que eu não queira ser amada. Pelo contrário. Quero amor de verdade. Não quero preencher carências de gente que quer se casar a todo custo. Não quero que me amem porque eu preencho certos requisitos pré-definidos. Não quero que me amem porque a idade chegou ou porque é hora de pararem com as baladas e constituírem uma família. Não quero ser tapa-buraco de ninguém. De homens que nunca levaram ninguém a sério e resolveram fazer isso agora. De homens separados e sem filhos que não aguentam mais ficar sozinhos. De homens que nunca se casaram e decidiram que a hora é essa. De homens que ficaram tão carentes com a idade que não aguentam a si próprios.
As mulheres, que antigamente tinham medo de ficar pra titia se não se casavam antes dos trinta, agora têm um novo medo: de homens desesperados porque que passaram dos trinta.
Dizem que as mulheres que passam dos trinta ficam desesperadas pra casar. Dizem. Ninguém diz nada dos homens. Ou melhor, não diziam. Porque, agora, eu vou dizer. Cansou minha beleza esse papo de mulheres desesperadas, afobadas e apressadas pra casar com o primeiro que aparecer. O que eu tenho visto por aí é muito diferente disso. Os homens estão desesperados à procura de uma mulher bacana pra namorar. Pra namorar, que fique claro. Porque pro resto está sobrando.
Com o tanto de mulher fácil que tem por aí, os homens estão ficando mais seletivos e – acreditem – querendo um relacionamento sério com uma pessoa só. Quando sexo era artigo de luxo, sexo prendia um homem a uma mulher. Hoje em dia, sexo eles conseguem na primeira noite, então os critérios de seleção passaram a ser outros. E com o tanto de mulher dada por aí, os homens pararam de procurar sexo (porque sexo ta em promoção na banca da feira) e começaram a procurar um relacionamento. Relacionamento sério hoje em dia virou o novo artigo de luxo.
Criamos a carência masculina. Homens saturados de noites calientes e camas vazias. Homens que cresceram como bebês chorões e pidões. Cidadãos que te ligam vinte vezes no dia seguinte e não querem desligar o telefone (isso não era coisa de mulher?). Cidadãos que querem namorar antes mesmo de te conhecer direito. Estamos provando do nosso próprio veneno. Gostamos? Ainda é cedo pra avaliar. Mas já é fato que não são mais as mulheres que estão desesperadas depois dos trinta.
O cidadão já quer te conhecer te enchendo de perguntas indiretas pra saber se você vai ser a futura mãe dos filhos dele. Oi??? Por que você ta me perguntando se eu quero ter filhos, meu filho? Já ta na hora desse assunto? Ele já te inclui no próximo final de semana e nas férias dele. Oi??? Não ta indo muito rápido? Nem sei se eu quero nada sério com você. Não importa. Ele quer. Antes mesmo de te conhecer, ele quer um relacionamento sério. Na cabeça dele, ele cria a mulher ideal. Aí escolhe uma pra vestir o personagem criado por ele e pronto. Achou a mulher ideal – ele pensa. Tamanha a afobação.
Quando eu era bem nova (não faz muito tempo, ta?!), existia um livro chamado “Por favor, não me ame”. Nunca cheguei a ler esse livro e hoje em dia não está mais à venda. Mas acredito que quem escreveu aquele livro me entenderia hoje. Não que eu não queira ser amada. Pelo contrário. Quero amor de verdade. Não quero preencher carências de gente que quer se casar a todo custo. Não quero que me amem porque eu preencho certos requisitos pré-definidos. Não quero que me amem porque a idade chegou ou porque é hora de pararem com as baladas e constituírem uma família. Não quero ser tapa-buraco de ninguém. De homens que nunca levaram ninguém a sério e resolveram fazer isso agora. De homens separados e sem filhos que não aguentam mais ficar sozinhos. De homens que nunca se casaram e decidiram que a hora é essa. De homens que ficaram tão carentes com a idade que não aguentam a si próprios.
As mulheres, que antigamente tinham medo de ficar pra titia se não se casavam antes dos trinta, agora têm um novo medo: de homens desesperados porque que passaram dos trinta.
O CAFAJESTE E O BOM MOÇO
O CAFAJESTE E O BOM MOÇO
Ando muito preocupada com um tipo de homem que se prolifera por aí: o bom moço. O bom moço é aquele em que você acredita. Ele faz planos com você. Ele te apresenta pra mãe dele na segunda semana de namoro. Ele quer namorar com você na primeira vez que vocês saem juntos. O bom moço é tudo de bom. Ele chega na sua casa com presentes fofos. Ele é fofo. Ele te mima. Ele fala macio. Ele beija macio.
Mas é justamente aí que mora o perigo. O bom moço é aquele que nunca vai levantar suspeitas. Você nunca vai imaginar que ele está fazendo nada de errado (mesmo que ele te ligue de um lugar barulhento sexta-feira onze horas da noite e te diga que está trabalhando). O bom moço está acima do bem e do mal. O bom moço é um cidadão acima de qualquer suspeita.
Deve ser por isso que sempre gostei dos cafajestes. Pelo menos eles assumem que não prestam e não ficam bancando os santos. Você sabe o que você vai levar pra casa na hora que compra. Não tem surpresa depois de dois meses de uso contínuo. Porque os cafajestes são aquilo que são. Não usam máscaras ou qualquer truque pra seduzir as mocinhas desprevenidas.
O cafajeste é aquele que não vai te ligar. Não vai te mandar flores, nem te dar presentes. O cafajeste vai correr dos mínimos sinais de compromisso. O cafajeste não vai passar a noite com você. Ele vai embora assim que o dia clarear. Não vai deixar escova de dente na sua casa (afinal, isso seria um sinal de compromisso sério, na cabeça dele). O cafajeste é o oposto do bom moço. Não vai te apresentar pros amigos, não vai te convidar pro almoço de família. Ele não faz nada pra parecer fofo ou bom moço pra você.
E a vantagem do cafajeste é justamente esta: ele não está tentando te enganar. Ele é aquilo. Bom ou mau, ele é o que é. Ele não vai te fazer promessas, não vai ser romântico, não vai assumir compromisso. Ele não vai te enrolar. Ele vai te ligar segunda-feira depois de você ter passado o final de semana inteiro esperando um telefonema. E vai sumir sempre que chegar a sexta-feira. Ele não vai te dar desculpas pra não te encontrar. Simplesmente vai te dizer que tem um outro compromisso e não vai te incluir.
Pode parecer que eu estou ficando doida, mas hoje tenho medo do bom moço. O bom moço, inevitavelmente, vai te decepcionar. Não porque ele possa fazer uma grande merda (e sim, ele pode), mas porque você não espera isso dele. Ele te faz acreditar que ele é incapaz de te decepcionar. Ele te faz acreditar que ele é o príncipe encantado, mas obviamente, uma hora o príncipe vira sapo. Já o cafajeste é sapo por natureza. Ele já entra na sua vida como sapo. Por isso, você não espera dele atitudes de príncipe. O cafajeste é inofensivo, acredite em mim. Perigoso mesmo é o bom moço.
Ando muito preocupada com um tipo de homem que se prolifera por aí: o bom moço. O bom moço é aquele em que você acredita. Ele faz planos com você. Ele te apresenta pra mãe dele na segunda semana de namoro. Ele quer namorar com você na primeira vez que vocês saem juntos. O bom moço é tudo de bom. Ele chega na sua casa com presentes fofos. Ele é fofo. Ele te mima. Ele fala macio. Ele beija macio.
Mas é justamente aí que mora o perigo. O bom moço é aquele que nunca vai levantar suspeitas. Você nunca vai imaginar que ele está fazendo nada de errado (mesmo que ele te ligue de um lugar barulhento sexta-feira onze horas da noite e te diga que está trabalhando). O bom moço está acima do bem e do mal. O bom moço é um cidadão acima de qualquer suspeita.
Deve ser por isso que sempre gostei dos cafajestes. Pelo menos eles assumem que não prestam e não ficam bancando os santos. Você sabe o que você vai levar pra casa na hora que compra. Não tem surpresa depois de dois meses de uso contínuo. Porque os cafajestes são aquilo que são. Não usam máscaras ou qualquer truque pra seduzir as mocinhas desprevenidas.
O cafajeste é aquele que não vai te ligar. Não vai te mandar flores, nem te dar presentes. O cafajeste vai correr dos mínimos sinais de compromisso. O cafajeste não vai passar a noite com você. Ele vai embora assim que o dia clarear. Não vai deixar escova de dente na sua casa (afinal, isso seria um sinal de compromisso sério, na cabeça dele). O cafajeste é o oposto do bom moço. Não vai te apresentar pros amigos, não vai te convidar pro almoço de família. Ele não faz nada pra parecer fofo ou bom moço pra você.
E a vantagem do cafajeste é justamente esta: ele não está tentando te enganar. Ele é aquilo. Bom ou mau, ele é o que é. Ele não vai te fazer promessas, não vai ser romântico, não vai assumir compromisso. Ele não vai te enrolar. Ele vai te ligar segunda-feira depois de você ter passado o final de semana inteiro esperando um telefonema. E vai sumir sempre que chegar a sexta-feira. Ele não vai te dar desculpas pra não te encontrar. Simplesmente vai te dizer que tem um outro compromisso e não vai te incluir.
Pode parecer que eu estou ficando doida, mas hoje tenho medo do bom moço. O bom moço, inevitavelmente, vai te decepcionar. Não porque ele possa fazer uma grande merda (e sim, ele pode), mas porque você não espera isso dele. Ele te faz acreditar que ele é incapaz de te decepcionar. Ele te faz acreditar que ele é o príncipe encantado, mas obviamente, uma hora o príncipe vira sapo. Já o cafajeste é sapo por natureza. Ele já entra na sua vida como sapo. Por isso, você não espera dele atitudes de príncipe. O cafajeste é inofensivo, acredite em mim. Perigoso mesmo é o bom moço.
Mulher com M maiusculo,diria mais macho que muito homem por ai
Mulher com M maiusculo,diria mais macho que muito homem por ai
Eu não estou procurando namorado. Já falei mil vezes que me dou muito bem com a minha própria companhia. Não tenho interesse de fazer meu ficante-médio-interessante subir pra posição de namorado. Namorar por conveniência é para os fracos. Pra mim, não. Eu sou guerreira. Vou atrás do que quero e o que eu quero é um homem de verdade. Quero um homem que seja mais homem do que eu. Isso mesmo: um homem que seja mais homem do que eu.
Não é fácil ser homem, eu imagino. É esperado que vocês tenham um bom salário, que vocês paguem a conta, que vocês tomem a iniciativa, que vocês sejam altos, que vocês sejam fortes, que vocês tenham pintos grandes. E que se convençam de que tamanho não é documento. Eu sei. Não é nada fácil ser homem. Mas eu coloco meu lado homem todo dia em exercício. Troco pneu de carro, troco chuveiro elétrico. Me viro sem precisar da força de ninguém a não ser da força física. Sou mais homem do que quase todos os homens que já passaram pela minha vida. Sou homem de terminar um relacionamento com dignidade sem precisar dar motivos toscos pra outra parte sair fora. Sou homem na hora de assumir o que eu quero sem precisar manter relacionamentos paralelos pra massagear meu ego. Sou homem na hora de ter uma conversa séria ao invés de gritos e acusações. Sou homem do começo ao fim de um relacionamento. Ou, como cantava a canção: sou mais macho que muito homem.Uma mulher com M maiusculo.
Dureza é ver homem que não honra as próprias calças, como dizia meu avô. Que precisa trair ou magoar alguém pra fazer essa pessoa ir embora ao invés de simplesmente dizer adeus. Dureza é ver homem que mente descaradamente e se faz de bom moço. Dureza é ver homem que acha que é melhor do que a mulher porque tem um salário maior. Dureza é ver homens castradores que proíbem as mulheres de usar saia curta ou qualquer coisa que as deixe sexy, enquanto compram revista de mulheres nuas pra ver exatamente aquilo que eles fazem elas esconderem. Dureza é ver homem que proíbe a mulher de ter amigos enquanto ele paquera até a moça do café no trabalho. Dureza é ver homem que corta a Internet da mulher enquanto ele adiciona as vizinhas no Facebook. Isso pra mim é, como eu ia dizendo, não honrar as próprias calças. Isso pra mim é falta de hombridade. Falta de ser homem de verdade mesmo. E esse tipo é o que mais tem por aí.
Mas o homem que eu estou querendo não tem nada a ver com isso. O homem que eu quero precisa invadir minha vida de um jeito que nenhum homem fez ainda. O homem que eu estou procurando precisa ser capaz de trocar não só pneu de carro, mas todos os conceitos machistas arraigados por uma visão mais atual dos relacionamentos. O homem que eu estou procurando precisa mais do que dirigir um carro por longos quilômetros de estrada, precisa saber conduzir um relacionamento por alguns períodos intempestuosos. O homem que me atrai não precisa pegar duzentos quilos na academia, mas precisa saber segurar uma barra quando nem tudo forem flores. Porque, pra mim, ser homem não é uma questão de sexo apenas. É uma questão de atitude diante das situações mais adversas. E esse homem que eu quero precisa ser homem de verdade. Precisa ser mais homem do que eu. Porque eu sou muito homem.Ou mulher demais,pra pouco homem.
Eu não estou procurando namorado. Já falei mil vezes que me dou muito bem com a minha própria companhia. Não tenho interesse de fazer meu ficante-médio-interessante subir pra posição de namorado. Namorar por conveniência é para os fracos. Pra mim, não. Eu sou guerreira. Vou atrás do que quero e o que eu quero é um homem de verdade. Quero um homem que seja mais homem do que eu. Isso mesmo: um homem que seja mais homem do que eu.
Não é fácil ser homem, eu imagino. É esperado que vocês tenham um bom salário, que vocês paguem a conta, que vocês tomem a iniciativa, que vocês sejam altos, que vocês sejam fortes, que vocês tenham pintos grandes. E que se convençam de que tamanho não é documento. Eu sei. Não é nada fácil ser homem. Mas eu coloco meu lado homem todo dia em exercício. Troco pneu de carro, troco chuveiro elétrico. Me viro sem precisar da força de ninguém a não ser da força física. Sou mais homem do que quase todos os homens que já passaram pela minha vida. Sou homem de terminar um relacionamento com dignidade sem precisar dar motivos toscos pra outra parte sair fora. Sou homem na hora de assumir o que eu quero sem precisar manter relacionamentos paralelos pra massagear meu ego. Sou homem na hora de ter uma conversa séria ao invés de gritos e acusações. Sou homem do começo ao fim de um relacionamento. Ou, como cantava a canção: sou mais macho que muito homem.Uma mulher com M maiusculo.
Dureza é ver homem que não honra as próprias calças, como dizia meu avô. Que precisa trair ou magoar alguém pra fazer essa pessoa ir embora ao invés de simplesmente dizer adeus. Dureza é ver homem que mente descaradamente e se faz de bom moço. Dureza é ver homem que acha que é melhor do que a mulher porque tem um salário maior. Dureza é ver homens castradores que proíbem as mulheres de usar saia curta ou qualquer coisa que as deixe sexy, enquanto compram revista de mulheres nuas pra ver exatamente aquilo que eles fazem elas esconderem. Dureza é ver homem que proíbe a mulher de ter amigos enquanto ele paquera até a moça do café no trabalho. Dureza é ver homem que corta a Internet da mulher enquanto ele adiciona as vizinhas no Facebook. Isso pra mim é, como eu ia dizendo, não honrar as próprias calças. Isso pra mim é falta de hombridade. Falta de ser homem de verdade mesmo. E esse tipo é o que mais tem por aí.
Mas o homem que eu estou querendo não tem nada a ver com isso. O homem que eu quero precisa invadir minha vida de um jeito que nenhum homem fez ainda. O homem que eu estou procurando precisa ser capaz de trocar não só pneu de carro, mas todos os conceitos machistas arraigados por uma visão mais atual dos relacionamentos. O homem que eu estou procurando precisa mais do que dirigir um carro por longos quilômetros de estrada, precisa saber conduzir um relacionamento por alguns períodos intempestuosos. O homem que me atrai não precisa pegar duzentos quilos na academia, mas precisa saber segurar uma barra quando nem tudo forem flores. Porque, pra mim, ser homem não é uma questão de sexo apenas. É uma questão de atitude diante das situações mais adversas. E esse homem que eu quero precisa ser homem de verdade. Precisa ser mais homem do que eu. Porque eu sou muito homem.Ou mulher demais,pra pouco homem.
NUA E CRUA
NUA E CRUA
Eu queria ser famosa. Estampar as capas das revistas com minha felicidade instantânea e dizer que estou ótima depois de uma separação traumática. Queria ir pro Big Brother e fazer melhores amigos em uma semana. Queria dizer que amo com um mês de namoro. Queria que, quando alguém me chamasse de gostosa, isso fosse um elogio ao meu caráter e não um “eu te comeria se você me desse mole”. É provável que eu fosse mais feliz assim.
Mas eu sou tradicional. Sou convencional, apesar de não ser normal. Se eu me corto, eu sangro. Se bato o dedo no pé da mesa, dói. Sou uma pessoa comum. Acredito no até que a morte nos separe e também no eterno enquanto dure. Acredito que, se eu sou capaz de ser fiel, alguém mais pode ser. Acredito que eu não sou uma laranja, mas preciso da minha outra metade pra me sentir inteira. Valorizo as pequenas atitudes, assim como condeno pequenas mancadas. Sou rancorosa, guardo por anos uma coisa que me magoou de verdade. Sei perdoar. Passo por cima dos erros pra ficar junto das pessoas que eu gosto. Tenho meus limites. O primeiro deles é meu amor-próprio. Perdôo uma vez, porque errar é humano. Perdôo duas porque o ser humano é estúpido às vezes. Mas não posso viver perdoando porque isso seria incompetência minha.
Acredito que as pessoas aprendem com os próprios erros e com o tempo. Acredito também que quem traiu uma vez e foi perdoado vai trair de novo. Acredito que aquelas pessoas que vivem falando mal dos outros vão falar mal de você com esses outros. Acredito que as pessoas só mudam por vontade própria e nunca pelo pedido de outra pessoa. Acredito que tudo que eu acredito hoje vai mudar com o tempo. E que, no futuro, talvez, eu acredite em menos coisas. Ou em nada mais.
Nunca vendi meu corpo, nem nunca sequer considerei essa possibilidade. Eu sei exatamente o tipo de homem que sai com puta. E esse tipo me dá náusea. Nunca precisei experimentar drogas pra pertencer a nenhum grupo. Me dou bem com todo tipo de gente e as pessoas costumam gostar de mim apesar do que eu sou. Tenho verdadeira repulsa por homem mulherengo. Detesto aquele tipinho “caminhoneiro” (que fala pra esposa que tem uma em cada ponto, mas ela é a única que ele ama). Detesto mulher corna que se explica pras pessoas “mas ele me ama”. Sexo com outras pessoas só é perdoado quando é o homem que faz. Detesto homem machista. Detesto o tipinho que vai pra farra enquanto a mulher tonta espera em casa. Detesto mulher tonta.
Eu queria ser famosa pra fingir que não sinto dor. Pra fingir que sou perfeita na capa das revistas masculinas. Pra fingir que não preciso fingir. Queria ser famosa pra ser uma fruta e não uma cabeça que pensa. Mas escrever nunca deu dinheiro, nem capa de revista, nem melhores amigos no Big Brother. Escrever é pra pessoas de quinta como eu, que não vão fazer seu primeiro milhão vendendo o que tem no meio das pernas pra adolescentes de 30 anos de idade. Queria ser famosa pra experimentar uma vida que, dizem por aí, é melhor que a minha. Queria ser famosa pra ver se eu conseguiria ser eu.
Eu queria ser famosa. Estampar as capas das revistas com minha felicidade instantânea e dizer que estou ótima depois de uma separação traumática. Queria ir pro Big Brother e fazer melhores amigos em uma semana. Queria dizer que amo com um mês de namoro. Queria que, quando alguém me chamasse de gostosa, isso fosse um elogio ao meu caráter e não um “eu te comeria se você me desse mole”. É provável que eu fosse mais feliz assim.
Mas eu sou tradicional. Sou convencional, apesar de não ser normal. Se eu me corto, eu sangro. Se bato o dedo no pé da mesa, dói. Sou uma pessoa comum. Acredito no até que a morte nos separe e também no eterno enquanto dure. Acredito que, se eu sou capaz de ser fiel, alguém mais pode ser. Acredito que eu não sou uma laranja, mas preciso da minha outra metade pra me sentir inteira. Valorizo as pequenas atitudes, assim como condeno pequenas mancadas. Sou rancorosa, guardo por anos uma coisa que me magoou de verdade. Sei perdoar. Passo por cima dos erros pra ficar junto das pessoas que eu gosto. Tenho meus limites. O primeiro deles é meu amor-próprio. Perdôo uma vez, porque errar é humano. Perdôo duas porque o ser humano é estúpido às vezes. Mas não posso viver perdoando porque isso seria incompetência minha.
Acredito que as pessoas aprendem com os próprios erros e com o tempo. Acredito também que quem traiu uma vez e foi perdoado vai trair de novo. Acredito que aquelas pessoas que vivem falando mal dos outros vão falar mal de você com esses outros. Acredito que as pessoas só mudam por vontade própria e nunca pelo pedido de outra pessoa. Acredito que tudo que eu acredito hoje vai mudar com o tempo. E que, no futuro, talvez, eu acredite em menos coisas. Ou em nada mais.
Nunca vendi meu corpo, nem nunca sequer considerei essa possibilidade. Eu sei exatamente o tipo de homem que sai com puta. E esse tipo me dá náusea. Nunca precisei experimentar drogas pra pertencer a nenhum grupo. Me dou bem com todo tipo de gente e as pessoas costumam gostar de mim apesar do que eu sou. Tenho verdadeira repulsa por homem mulherengo. Detesto aquele tipinho “caminhoneiro” (que fala pra esposa que tem uma em cada ponto, mas ela é a única que ele ama). Detesto mulher corna que se explica pras pessoas “mas ele me ama”. Sexo com outras pessoas só é perdoado quando é o homem que faz. Detesto homem machista. Detesto o tipinho que vai pra farra enquanto a mulher tonta espera em casa. Detesto mulher tonta.
Eu queria ser famosa pra fingir que não sinto dor. Pra fingir que sou perfeita na capa das revistas masculinas. Pra fingir que não preciso fingir. Queria ser famosa pra ser uma fruta e não uma cabeça que pensa. Mas escrever nunca deu dinheiro, nem capa de revista, nem melhores amigos no Big Brother. Escrever é pra pessoas de quinta como eu, que não vão fazer seu primeiro milhão vendendo o que tem no meio das pernas pra adolescentes de 30 anos de idade. Queria ser famosa pra experimentar uma vida que, dizem por aí, é melhor que a minha. Queria ser famosa pra ver se eu conseguiria ser eu.
Assinar:
Postagens (Atom)