terça-feira, 27 de setembro de 2011

MULHERES, HOMENS E XAMPUS

MULHERES, HOMENS E XAMPUS

Um sonoro “não” e o polígrafo confirmou: ele disse a verdade. “Não” foi a resposta de Juca Chaves quando Sílvio Santos perguntou se ele trairia sua esposa mesmo que ela não tivesse como descobrir. Não, ele não trairia. Juca Chaves teve o aval do polígrafo, “a máquina da verdade”, e a aclamação velada do público. Fidelidade é assunto careta para alguns, está fora de moda na tevê, mas, aposto, sem precisar de nenhuma pesquisa, que nove entre dez mulheres gostariam de ter um marido fiel. Nove. Chutando pra baixo.

Fora das telas de tevê e das máquinas da verdade, as mulheres ainda querem fidelidade. As mulheres ainda acreditam em promessas de xampus caros e homens baratos. Compramos sonhos, promessas, juras de amor eterno. Dizemos que os homens são todos iguais, mas queremos escolher a dedo. E, na verdade, nós, mulheres é que somos todas iguais. Seguimos um padrão de beleza (ou nos frustramos por não estar no dito modelo). Compramos xampus de noventa e seis reais com o rótulo em francês e uma linguagem inventada que diz: Masquintense. Acreditamos na pró-vitamina, nas ceramidas, na queratina e em todos os outros nomes tirados de traz da orelha dos publicitários como ceraflash, cera liss system, serum-reparador e uma lista sem fim. Acreditamos simplesmente porque queremos acreditar. No fundo, sabemos que rótulos e nomes estranhos em línguas não identificadas são criados por publicitários. Acreditamos em creme-anti celulite, em remédio para emagrecer em duas semanas, em cara-metade ou no amor das nossas vidas. Acreditamos no pra sempre que nunca se acaba, ao contrário do que dizia Renato Russo. Fazemos planos de encontrar a pessoa certa. Casamos com votos de até que a morte nos separe. Exigimos exclusividade, fidelidade, sinceridade, transparência, respeito, cumplicidade. A lista é extensa e, nesse ponto, somos todas iguais.

Confesso que me deu uma pontinha de inveja da esposa do Juca Chaves. Quer declaração de amor maior que essa, em rede nacional? Eu não faria mesmo que minha esposa jamais fosse descobrir. Pra mim, essa é a verdadeira fidelidade. É a fidelidade da intenção. É simplesmente não ter vontade de fazer. Não apenas ser fiel porque alguém vai ficar sabendo, porque respeito meus filhos, porque sou um cara casado. Não. É porque não tenho vontade. Caraleo! É por isso que todas nós, mulheres, esperamos (sentadas). Esperamos que a gente não precise pedir, implorar, obrigar. Ninguém é obrigado a namorar, a casar e a ficar junto. Ficamos porque queremos. Namoramos, juntamos, casamos pra garantir exclusividade. Aliança, coleira ou gps não são garantia de nada e sabemos muito bem disso. Então, a única garantia que temos é a intenção do outro.

Eu sei que muita mulher toma chifre e finge que não vê ou simplesmente não liga e também faz o mesmo. Mas to dizendo de mim e da maioria das mulheres que conheço. A mulher que não quer dividir o cara que tem dentro de casa, a mulher que não quer homem chegando de madrugada com cheiro de perfume barato, a mulher que abomina o estilinho Reginaldo Rossi de ser. Foi-se o tempo em que as mulheres ficavam em casa fazendo tricô enquanto seus maridos boêmios comiam putas no centro da cidade. Hoje, mesmo ainda acreditando em promessas de homens e xampus, somos independentes, somos livres pra fazer nossas próprias escolhas, somos pouco tolerantes e sabemos muito bem o que queremos. Queremos alguém para quem fidelidade não é obrigação, é uma escolha.
AMOR PRA VIDA INTEIRA
Sou do signo de Gemeos,Ar. Sou direta. Franca. E exijo o mesmo das pessoas. Não gosto de meias-palavras ou meias-verdades. Só uso meias pretas. Mas nunca passo o reveillon de branco. Sou do avesso. Talvez eu seja, sim, o oposto daquilo que você espera de mim. Sou hiperativa ao extremo. Gosto de todos os bichos. Não gosto de muitas pessoas. Minha vida é desalinhada. Dirijo como um homem e choro como uma criança. Talvez eu mereça mais que isso.

Talvez meu jeito estúpido de amar as pessoas ao meu redor não seja suficiente. Talvez eu precise começar do zero e aprender a amar. Aprender a viver como se diz no manual. O colégio de freiras não serviu pra muita coisa na minha vida. Minha família nunca me ouviu de verdade. Por isso, sou temperamental. Aprendi com as aves. Não gosto de ser incomodada sob o risco de eu te dar uma bicada e arrancar seu dedo fora. Gosto da liberdade, mas adoro companhia. Adoro minhas pernas encostando nas suas na hora de dormir.

Admiro as araras azuis. Aprendi no Discovery Channel que elas passam a vida inteira com o mesmo companheiro. São livres. Ninguém, nem nenhuma lei, obriga ninguém a ficar junto por mais tempo do que o amor consegue fazê-lo. Eu acredito nisso. No amor livre. No amor enquanto houver amor. No respeito, na cumplicidade, na transparência.

Por não saber o que quero da vida, vivo fazendo o que não quero. Por não saber amar, vivo levando na cara. Por amar demais, vivo sonhando. Por não acreditar nos sonhos, vivo me ferrando. Por me ferrar sempre, vivo me fechando. E por me fechar demais, vivo sem amor. Vivo com poucos amigos, poucas cifras e poucos CDs. Vivo com alguma poesia, uma caixa de lápis de cera e duas calopsitas. Vivo sem sorte no jogo e apostando no amor.

Não quero amor de fim de noite. Não quero amor de uma noite só. Não tenho mais idade - nem saco - pra micareta. Não sei mais paquerar ou fazer joguinho de “não te quero só pra você me querer”. Não preciso que me queiram pra massagear meu ego. Tenho foco. Sou mulher de um homem só. Não preciso de conversinha com ex-rolos no Messenger porque sei bem o que eu quero. Não preciso de homem pra massagear meu ego. Não preciso testar meu poder de sedução mantendo possíveis casos amorosos na internet. Não preciso de ninguém pra me dizer o quanto sou linda, gostosa e inteligente. Pra isso, tenho espelho, academia, papel e caneta. Não preciso usar meu corpo ou muito menos minhas palavras pra conquistar alguém. Pra isso, tenho sentimentos que falam por mim.

Acredito no amor, apesar de o amor não acreditar em mim. Valorizo as pequenas coisas, como o chocolate no fim da tarde e o almoço no meio do dia. Valorizo a boa intenção. A boa fé. Acredito nas palavras do coração pra fora. E nos sentimentos do coração pra dentro. Acredito em tudo que vem de dentro da alma. Acredito no agora e desconfio – muito – do futuro. Desejo o bem pra quase todas as pessoas que conheço. Acredito no desejo. Acredito na vontade que faz acontecer. Acredito que tudo que queremos de verdade acontece. Não acredito em signos, cartas e tarô. Respeito todas as crenças. Acredito no amor que dura uma vida inteira. Desconfio do amor que dura uma noite. E respeito todas as formas de amar.

NÃO ME INTERESSA

NÃO ME INTERESSA

Não me impressiono com cifras, títulos ou promessas. Não acredito em palavra dita ou escrita. Acredito em atitudes, somente. Palavras, eu já tenho. Nasci com esse dom. Posso te contar minha vida inteira e, ainda assim, você não vai saber nada de mim. Quer me conhecer lendo meus textos? Nem tente. Eu não conseguiria descrever um décimo de tudo que eu penso mesmo que eu soubesse todas as palavra do mundo.

Não reconheço um homem meu tipo à distância. O homem meu tipo vai muito além de um cara bonito qualquer que cruza meu caminho. Não sou do tipo que precisa ser paquerada pra aumentar minha auto-estima. Isso eu já tenho de sobra. Me amo desde os horríveis dedos dos pés aos bem tratados fios de cabelo. Uso xampus ,cremes,óleos. Me cuido como se eu fosse uma princesa. E exijo ser tratada como tal.

Não preciso dar golpe do baú, golpe da barriga ou golpe da periquita louca. Tem muita mulher se dando bem dando pro homem certo, mas eu prefiro me dar bem do meu jeito. Vim ao mundo a passeio. Não pretendo construir nenhum império nem ficar aqui por muito tempo. Cuido dos meus pets que são as coisas mais importantes na minha vida. Todo resto é bobagem. Posso um dia ter meu carro, meu dinheiro, minhas roupas. Só preciso dos meus documentos pra eu lembrar quem sou. Como se eles, os documentos, pudessem me dizer.

Nunca seria política. Não sei agradar ninguém dizendo algo que não penso. Ou que não é. Tento dar bons exemplos. Tenho consciência de que sou responsável por tudo que escrevo uma vez que deixo alguém ler. Falo palavrão na hora certa. Xingo na hora errada. Escrevo tudo que vem à minha cabeça sem roteiro, sem pensar se vão gostar ou não. Escrevo tudo que penso. Não penso em tudo que escrevo. Escrevo porque é a forma de organizar meus pensamentos. Escrevo porque é a forma de eu me conhecer mais e de você me conhecer menos.

Não me importo em ser clichê, nem em repetir isso a cada texto. Não me importo de escrever mil vezes sobre o mesmo tema. O amor é clichê e inesgotável. Impossível não ser igual a tudo que já foi dito. Impossível não dizer de novo a mesma coisa. Ouvi na rádio esses dias uma bandinha “emo” cantar que “pra existir história, tem que existir verdade”. Clichê? É. Mas é a maior verdade que ouvi nos últimos tempos.

Não existe mesmo história sem verdade. Mentira tem perna curta, já diz o ditado. E eu digo mais: meias-verdades andam de perna-de-pau. Uma hora, inevitavelmente, elas vão cair. Toda palavra dita se torna mentira sem uma atitude coerente. A verdade está na coerência, na transparência e nas atitudes. Acredito nisso. Acredito em calopsitas, xampus caros e atitudes coerentes. Todo resto é bobagem.

DO QUE NEM EU ENTENDO

DO QUE NEM EU ENTENDO
Vivemos esperando. Vivemos nos frustrando. Vivemos nos frustrando porque vivemos esperando. Vivemos olhando para o futuro e criando expectativas de que vamos encontrar a felicidade em um lugar que ainda não chegamos. A tal felicidade está sempre no pote de ouro no final do arco-íris que não chega nunca. A felicidade está no dinheiro que eu não tenho, no corpo que eu nunca vou ter, no carro que eu não dirijo, no amor da minha vida que é o amor da vida de outra. Mas e quando a gente consegue o corpo que a gente queria, o emprego dos sonhos, o amor pra vida inteira? Pra onde vai a felicidade que nunca chega? Por que é que a gente está sempre achando que falta alguma coisa pra ser feliz, mas essa alguma coisa está sempre naquilo que a gente não tem?

O ser humano quer aquilo que ele não pode ter. Ouvi isso esses dias e concordo totalmente. A gente vive na eterna busca para permanecer vivo. Estamos sempre atrás de algo que está sempre distante. Criamos expectativas irreais. Criamos modelos de felicidade baseados em um padrão ideal. Buscamos a felicidade na perfeição. O melhor emprego, o melhor casamento, a melhor família. A gente tem que ser bem-sucedido, a gente tem que casar e ter filhos antes dos 30, a gente tem que ter filhos. Falsos modelos de sucesso criados pela sociedade e por nós mesmos. Sucesso é ter um emprego milionário, mesmo que você abra mão da sua vida pra ganhar dinheiro (tenho uma amiga morando num lugar onde ela não conhece ninguém, acorda às 5h20 da manhã pra trabalhar, volta pra casa às 23h20, trabalha de segunda a segunda, não namora há dois anos, mas ta fazendo seu pé-de-meia). Sucesso é ter um casamento por 30 anos, mesmo que você durma no sofá há 23. Sucesso é ter se casado antes dos 30 mesmo que você tenha se casado com um pangaré qualquer pra contar pras suas amigas que você encontrou o homem da sua vida. Sucesso é ter filhos mesmo que você não tenha a mínima vocação pra maternidade e que não tenha um pingo de paciência com crianças. Sucesso é uma palavra criada pelo ser humano pra definir uma coisa qualquer que você precisa ter ou ser, que nem você mesmo sabe se queria ter tido ou sido.

A gente se frustra porque o final do arco-íris nunca chega. A gente se frustra porque mesmo com o melhor emprego, a melhor família, o melhor casamento, os melhores amigos, os melhores tudo, não nos consideramos felizes. E continuamos achando que a felicidade está naquilo que não temos. Felicidade é a nossa busca interna. Que nunca tem fim. Sucesso é um rótulo criado pela sociedade, pela mídia ou por qualquer outro nome que se queira dar para conceitos que são enfiados nas nossas cabeças desde pequenos, feito uma lavagem cerebral. Felicidade e sucesso são caminhos que nem sempre se cruzam.

Largamos nossas carreiras de músico, bailarina, ator, pintor, porque isso não dá dinheiro. Largamos nossos sonhos, nossas vocações, aquilo que realmente sabemos fazer, para fazer uma faculdade de direito, de engenharia, de medicina porque é isso que aprendemos que dá dinheiro e sustento na vida. Não nos casamos aos 18 porque somos muito novas, e nos precipitamos em ser certeira aos 35 porque já passou da hora. Qual é essa maldita hora? Qual é essa infeliz fórmula da felicidade? Quem escreveu as regras do sucesso? Eu vou ser infeliz se aos 30 não tiver achado o homem da minha vida? Se eu nunca quiser ter filhos. Se eu for morar na praia. Se eu virar hippie. Se eu não ganhar dinheiro, mas fizer aquilo que eu gosto. Eu vou ser uma pessoa pior pra quem? Pra mim mesma ou pro resto do mundo? Ter sucesso de verdade é ser feliz do seu jeito.

COISA DO DESTINO

COISA DO DESTINO

E aí você acha que é coisa do destino. Sim, o destino, aquele desgraçado que só te arruma confusão. Aquele mesmo que vive aprontando com você e te metendo em enrascadas homéricas. Afinal, que outra força do universo colocaria você naquela situação tão inusitada depois daquilo que teria tudo pra ser o dia mais fracassado do ano (ou, quem sabe, da sua vida toda)? Coisa do “destino” e da sua cabeça maluca que acha que a vida é um filme de comédia romântica.

O “destino” glamouriza tudo. Um término de namoro, um começo, um recomeço. Seu ex-namorado te liga bem no dia que você saiu com aquele cara incrível - e foi uma merda. Aí, você acredita que é um sinal, que era pra ser assim, que aquilo foi um plano traçado por Deus ou pelos deuses ou por qualquer outra força superior que não depende da sua intervenção. A verdade é que nós, mulheres, somos seres carentes. Precisamos, o tempo todo, de sinais divinos, de finais felizes, de príncipes encantados. Enxergamos príncipes em sapos. Descobrimos o amor das nossas vidas com uma semana de namoro. Nos apaixonamos no segundo encontro (ou até mesmo antes do primeiro). Acreditamos em amor à primeira vista.

Usamos o “destino” como um calmante. Era pra ser assim. Você fala pra si mesma no dia que tomou o maior e mais dolorido pé na bunda de todos os tempos. Não era pra ser. Não era pra você namorar aquele imbecil. Era pra você sair com aquele lindo tudo de bom. Inventamos o “destino” pra justificar todas as coisas que acontecem que não dependem da nossa vontade. Chamamos isso de destino pra podermos seguir em frente sem mágoas e mais confiantes. Como se tudo de bom ou de ruim que acontecesse fosse pro nosso bem. Como se não fôssemos livres pra intervir e mudar o rumo das coisas. Excluímos de nós toda culpa, mas também todo mérito. Eliminamos o acaso da nossa vida. Não acreditamos em coincidências. Tudo era pra ser. Um plano traçado imutável.

E você vive sua vida esperando que o destino te arrume um bom plano pra seguir, espera que o sapo vire príncipe (mas só o contrário acontece), espera conhecer um cara bacana quando precisa de uma informação pra pegar um táxi numa rua deserta às onze da noite. Espera que esse cara te convide pra subir e que ele seja tão bacana quanto parece à primeira vista. Você espera que ele seja lindo e macio e gentil e um fofo. Você espera que ele te convide pra passar a noite ainda que você não aceite só pra não pegar mal. Você espera que você goste tanto quanto ele ou que ele goste um pouquinho mais. Você espera que todas as suas percepções façam jus à realidade. Você espera que isso seja mesmo coisa do destino. E que o destino (esse ingrato!) não esteja de novo te pregando uma peça.

SIM, ACEITO

SIM, ACEITO

Não é de hoje que casamento é negócio. As pessoas se casam pra pagar menos no plano de saúde de família. Pra ter uma esposa pra apresentar na empresa e conseguir uma promoção pra um cargo. Pra ter um marido pra pagar as contas. Pra pertencer a um grupo social. Pra ter uma família pra quem deixar a herança. As pessoas se casam por diversas razões. E amor poucas vezes está incluído no pacote.


Vi essa semana na tevê que o tal do Tiger Woods, jogador de golfe americano, se separou da mulher e ela embolsou 750 milhões de dólares dele. Mais a guarda dos filhos. Em troca, a ex-esposa não poderá falar nada sobre os romances que o ex-marido teve fora do casamento. Vou traduzir pro texto ficar mais claro: a cidadã aceitou ser corna durante anos - sei lá quantos - para embolsar uma bolada depois. Isso é amor ou negócio? (Na verdade, eu acho que isso tem um outro nome, mas aí já é assunto pra um outro texto).


Tem hora que eu fico meio puta. Dá vontade de chutar o balde e dançar conforme a música. Arrumar um homem rico que pague minhas contas e fazer tudo conforme manda o novo figurino. Foda-se o amor que só me fode a vida, foda-se que eu acredito que casamento tem que ser por (e com) amor, foda-se que eu gostaria de me casar com alguém que eu ame ao invés de me casar uma conta bancária. Tem hora que me dá vontade disso mesmo. Mas o surto dura poucos segundos e logo volto ao meu estado normal.


Acho muito espertas as Daniela Albuquerques da vida que se casam com velhos gordos carecas, 40 anos mais velhos que elas, pra ter um programa meia-boca num canal meia-boca e lançar kit de beleza. Juro que acho. Mas eu não aguentaria viver de esperteza. Perder minha juventude e minha beleza sendo esperta ao invés de ser amada. Acho muito espertas as Gimenez da vida que dão pra velhos roqueiros ricos e casados pra embolsar uma pensão gorda. Mas, sinceramente, eu não conseguiria. Primeiro que não tenho o mínimo dom pra fazer sexo por dinheiro. Segundo que eu acho que filho é coisa séria, deve ser parte de uma família, e não uma fonte de renda.


Mas nada disso é privilégio da vida moderna. É assim desde que o mundo é mundo. As pessoas trocam amor por dinheiro, sexo por dinheiro, dignidade por dinheiro. Casamento é negócio. Troca de interesses, na maioria das vezes. Admiro pessoas que se casam por amor porque é bem mais difícil de dar certo. Tem que ter fidelidade. Companheirismo. Compreensão. Tolerância. Cumplicidade. Amizade. Carinho. Respeito. E uma lista interminável de quesitos que as pessoas que se casam por amor não estão dispostas a trocar por dinheiro algum. Não é fácil. Amar dá trabalho. Muito mais prático fazer do casamento um negócio mesmo. Eu ainda to na peleja. Tentando acreditar que amar pode dar certo e que casamento por amor é que vai funcionar pra mim. Não preciso de tanto dinheiro assim pra viver. E ainda que eu precise, acho que posso conseguir o meu pé-de-meia sem negociar meus valores num casamento de conveniência.

ESSE TIPO DE GENTE

ESSE TIPO DE GENTE


Acredito que todo mundo uma vez na vida já teve uma amiga invejosa, ou que quisesse puxar seu tapete, ou que desse em cima do seu namorado. Ou que, simplesmente fosse uma pessoa que se dizia sua amiga mas não era. Ou aquela “amiga” que parecia um corvo de filme de terror e tudo que você contasse pra ela dava errado. Já teve uma amiga assim? Então você sabe do que eu estou falando.

Tem gente que não sei. Tem uma energia ruim. Não sei explicar. Tudo na vida da pessoa dá errado. A vida dela parece um inferno. A casa já foi roubada. O irmão morreu afogado. A mãe tem problemas com drogas. O carro, já bateu duzentas vezes. A placa foi clonada. A cabeleireira errou na química e destruiu o cabelo. Tudo – mas tudo – acontece com ela. Namorado, já trocou cinco vezes no ano e nada dá certo ou vai pra frente. Doença é uma por semana. É um verdadeiro mau agouro a vida da pessoa.

E esse tipo de gente, não sei. De novo, não sei. Parece que esse tipo de pessoa atrai coisa ruim. Atrai doença, desastre, acidente. Já conheci três pessoas assim na vida. E elas espalham o mau agouro por onde vão. As coisas vão dando errado pro resto da família. Como um dominó que vai derrubando um por um em seguida.

Esse tipo de gente negativa geralmente faz amizades por motivos diferentes dos nossos. Não, elas não querem a nossa companhia. Não precisam dos nossos conselhos. Elas simplesmente precisam da gente. Precisam da gente pra ouvir seus lamúrios e reclamar da vida. E o pior: elas querem te ver reclamar. Não, elas não agüentam te ver feliz. Não, elas não admitem que nada dê certo na sua vida. Sim, elas vão sempre ver o lado negativo de tudo – absolutamente tudo – que você comentar que vai fazer. Elas estão sempre te dando conselhos pra te fuder e te ver no fundo do poço (mas na hora que você está precisando de conselho, você não consegue perceber isso).

Esse tipo de gente adora te ouvir. São capazes de te ouvir por horas se você quer reclamar ou lamentar a vida. Vão te ouvir eternamente se você quer falar mal dos homens, ou do quanto sua vida anda ferrada ou do tanto que você se deu mal no novo emprego. Ou simplesmente falar mal de algo ou de alguém. Mas não ouse falar do tanto que seu trabalho novo é incrível, que sua amiga nova é legal ou que seu namorado é bacana. Você vai ouvir um “que bom” ou simplesmente um pitaco errado. Um palpite sobre algo, mesmo que elas não façam a mínima idéia do que estão falando. Sim, elas entendem de todos os temas do universo. E sempre acham um defeito em tudo. Tu-do. Essas pessoas têm uma lente de aumento que funcionam só pras coisas ruins. Um amplificador de desgraças.

De gente assim, já deu pra mim. Cansei de compartilhar a infelicidade alheia, até mesmo quando a infelicidade nem existia. Cansei de ver o alheio querendo refletir sua infelicidade em mim. Cansei de ouvir que “não vai dar certo”, que “você não está bem”, que “não é pra você”. Essas pessoas são suas melhores amigas quando você está na lama. Conhecem, de cor, uma lista de remédios pra depressão e vão falar que você precisa de pelo menos uns três desses. Mas elas não querem resolver o seu problema, não suportariam te ver feliz. Elas só precisam de companhia pro problema delas.