quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Amor?/Inteligencia

E então eu tenho quatro textos rascunhados há mais de dois meses sem conseguir terminá-los. Volta e meia retorno a eles, apago a metade, escrevo mais um tanto e de repente empaco. O que eles têm em comum além do fato de que eu não consigo colocar-lhes um ponto final? São todos textos "inteligentes". Textos sobre cultura, psicanálise, crônicas sobre o social. E aí hoje li um texto da Inês Pedrosa falando sobre a crença no amor, o segundo que li essa semana abordando o tema, e pensei: que saudade de escrever sobre o amor. Eu sou dessas pessoas que, como a Inês, acredita no amor como outros acreditam em deuses e santos. Eu adoro estar amando, não tenho problemas em me apaixonar e não me retraio por medo de sofrer. Mas, ao contrário do que possa parecer, isso não é uma coisa bonita e altruísta, nem mesmo corajosa. É apenas como as coisas são. Porém, como boa neurótica, eu não gosto de aceitar as coisas como elas são. Então, dentro do meu sintoma, crio uma dicotomia: ou sou inteligente, ou amo. E passo a vida, e perco a vida, buscando equilibrar duas coisas que só são opostas por invenção minha. A verdade é que eu realmente adoro falar de amor, ler sobre o amor, pensar, não entender, me irritar, ficar feliz, tudo ao mesmo tempo e sem ordem alguma. E também adoro ler textos de Lacan dos quais entendo pouquíssimo, passar horas conversando sobre as feridas narcísicas da humanidade ou explicando porque acho que o saber é hoje o deus mais cultuado no mundo. Só que, por algum motivo, é difícil pra mim aceitar que não são duas coisas, ou que até são, mas ambas estão misturadas em mim. E que o que escrevo vai surgir de acordo com o que acontecer na minha vida, e não porque eu decidi que já escrevi muita coisa romântica e está na hora de ser mais intelectual. Até acredito que para outras pessoas funcione assim, mas comigo não. Outra coisa que preciso aceitar: minha escrita, pelo menos aquela que me parece afetar os outros, não é racional. Meus textos "bons" são escritos no ímpeto, com algum trabalho depois, claro, mas o corpo tem que vir todo junto, de uma vez, senão nem adianta continuar. Por isso esse texto. Porque hoje, enquanto eu tentava relaxar para terminar algum dos outros, eu li sobre o amor, e o amor mais uma vez se escreveu, e tive a sensação que precisava escrever isso, preciso parar de lutar contra um pedaço de mim, para que todos os meus pedaços possam existir. Ao tentar eliminar um, elimino a mim, que sou todos esses pedaços desconexos, disformes e desencaixados que, na melhor das hipóteses, se deslocam e me fazem não parar.

Me calo,por amor


Calou-se. Não por ficar sem palavras ou não haver mais nada a dizer, mas porque não há como falar tudo que se diz quando se fala de amor.

Tem frases que escrevo e que me perseguem. É sério: eu as escrevo, penso que me livrei, e, de repente, a frase ressurge como se fosse a primeira vez que... o que? Que a escrevi, que a ouvi, que a pensei? Não sei. Frases assim são como pedaços de real que passam por mim, me cortam, mas que não são minhas. Elas me atravessam e deixam essa marca que não cicatriza nunca, que sangra a cada vez que penso, que ouço, que escrevo.

Calou-se. Não por ficar sem palavras ou não haver mais nada a dizer, mas porque não há como falar tudo que se diz quando se fala de amor.

Como assim calar por não poder falar tudo? É justamente por não conseguir falar tudo que eu falo. Falo, penso, escrevo, defino, grito, tudo tentando dizer o máximo que eu puder. Amor? Aí mesmo é que eu não me calo. Praticamente tudo que eu falo tem a ver com amor. Escrevo amor amor amor amor milhares de vezes tentando alcançar, entender, descobrir, saber o que é esse tal de amor que tanto me perturba.

Calou-se. Não por ficar sem palavras ou não haver mais nada a dizer, mas porque não há como falar tudo que se diz quando se fala de amor.

Curiosamente lembrei agora de um dos primeiros posts do meu blog em que eu reclamava me calar por não saber falar de amor. E respondi à minha reclamação dizendo que o problema é que eu só falava do que sabia e organizava, e que era impossível organizar o amor. Parece-me que, daí em diante, resolvi que ia falar sobre amor até aprender. Então escrevi o amor em prosa e poesia, realidade e fantasia, felicidade e agonia, e ainda assim não entendi. Não entendo, não aprendo, continuo não sabendo.

Calou-se. Não por ficar sem palavras ou não haver mais nada a dizer, mas porque não há como falar tudo que se diz quando se fala de amor.

E então, agora, esse calar. Que depois de tantas repetições (na minha cabeça e na tela do computador) me atinge de outra forma. É um calar diferente do calar por não saber ou do calar por conformismo de que não entenderei jamais o amor. Calei, no dia em que escrevi essa frase pela primeira vez, por me submeter ao fato de que não poderia explicar, e nem dizer tudo sobre o amor. Que mesmo tendo muito a dizer, mesmo tendo todas as palavras existentes e inventadas à minha disposição, ainda assim sobraria a falta. A falta, que é o que faz do amor, amor.

Calo-me agora. Não por ficar sem palavras ou não haver mais nada a dizer, mas porque não há como falar tudo que digo quando amo. E é por isso que amo.

De principes e heróis


E aí você chegou. Ou melhor, eu cheguei. Você já estava lá. Eu que andava em círculos sem parar, e você que me via e pensava, Será que ela não fica tonta nunca? Eu ficava. Mas já não sabia mais como era viver sem estar tonta, com o medo constante de que o chão desaparecesse. Até que um dia, nem sei muito bem como, eu dei um passo pro lado. Saí do círculo, e o chão continuou lá. Era estranho estar parada. Sentei, ali mesmo, ao lado do círculo marcado pelos meus passos. Passei muito tempo sentada, olhando para o que um dia foi a minha vida e achando aquilo meio cinza. Meio morto. Tudo me parecia assim e, se eu não estava mais rodando sem parar, também não estava seguindo em frente.


E aí você chegou. E me deu a mão. Eu levantei, e vi dentro dos seus olhos escuros todas as cores que o mundo havia perdido. E no seu peito encontrei um coração que batia numa melodia que eu há muito tempo não escutava. Não sei, aliás, se já a tinha escutado. Mas me parecia familiar. Nós caminhamos, e o seu cheiro também parecia familiar e, ao mesmo tempo, inédito. Parecia cheiro de terra molhada depois da chuva. Cheiro de felicidade.


Então, quando você chegou, com essas cores e melodias e esse cheiro, achei que você fosse ele. Mas você não é meu príncipe. Você é melhor. Você é feito de carne e osso, e quando você me beija eu sinto gosto de sangue. Gosto de vida. Quando eu deito a cabeça no seu ombro, sei que posso depositar ali todo o peso que a vida me faz carregar. Ao descansar nesse ombro tão forte pensei, Talvez ele seja um herói.


Então, quando você chegou, com um corpo feito de vida e um ombro de herói, eu entendi. Entendi porque era melhor que você fosse um homem, e não um príncipe. Príncipes são fantasias, assim como deuses. Tudo para eles é possível. Eles não têm coragem porque não sentem medo. Por isso, desde que o mundo é mundo, os heróis são humanos. São homens, e cada um tem o seu calcanhar de Aquiles, lembrando-o do risco, presentificando a morte. É na presença da morte que se vive. O herói, por se saber finito, faz de cada chance uma pequena eternidade. E é por isso que eu não preciso de um príncipe. Porque o amor é para heróis.

Sobre amar

Isto é ridículo, mais verdadeiro, quando não se sabe o que fazer, e se faz, você faz a coisa errada ao invés da certa, o caminho torto parece o certo, a bússola quebra e você acaba perdido, preciso anotar aqui: fazer a coisa certa. É o que eu preciso aprender,  o que eu quero dizer é que quando o coração falar, você deve parar e ouvi-lo, ou talvez não. Sei que você está confuso, sem entender nada, também não entendo nada, não disse que te daria respostas, porque não há respostas quando o assunto é amar, então amar... o que seria verdadeiramente isso, alguém se habilita? É aquela coisinha que te deixa no chão inúmeras vezes, escutando música melodramática as 23:00, num sábado, completamente sozinho em casa, um suicídio psicológico, isso acontece porque você não ama com moderação, porque amar por partes não é amar, ou se ama por inteiro, ou não se ama, amor não se divide, amor se soma, e quando ao  amor, não tem cura, esse é o perigo e  essa é a graça.Falar de amor é muito difícil, sempre fica vago, e quanto mais sabemos a respeito dessa palavra, mais nos perdemos, porque não tem o que saber, é uma coisa pra se sentir, amor é sofrer, mais amor é viver, quem não ama não vive, complexo não?Comecei a observar as pessoas que sofrem desse mal e tirei minhas próprias conclusões: todo apaixonado volta a ser uma criança com um doce na mão, ou com um brinquedo novo recém tirado da caixa, o amor nos doma de tal modo que se torna mais forte e somos condicionados a gostar dessa prisão como um cachorrinho que faz graça pelo petisco do dono no final da apresentação, nos tornamos seres indefesos! Mas que a razão seja proporcional a emoção, chega de ter o coração cinco vezes maior que o cérebro, não que amar seja ruim, mais é preciso amar com moderação!


Devastador e indecifrável




Eu odeio não saber o que está acontecendo comigo, odeio não ter palavras ou forma de explicar isso, odeio mais ainda a forma do mundo girar sem me dar um rumo certo e me odeio por sair com uma pessoa legal, sem sentir frio na barriga. Isso tudo se resume no medo que eu guardo por dentro, não um medo comum, um medo de ter perdido a única coisa que me fazia humana e me tirava toda a razão, medo do amor ter simplesmente evaporado, medo do amor ser definido, porque ninguém mais fica em mim quando eu vou embora, , o tempo passou, já é junho de novo, e ele vive com toda força em tempo real dentro de mim, eu me esforço juro, o tempo passa e a falta dele sopra as velinhas aqui do lado de dentro, foi amor, e eu senti, até de mais, e eu sei que não será como foi, as coisas mudaram eu mudei, mais se não for mais assim, nunca mais vai ser amor?O amor é só um, e na minha concepção, ou você está ou não apaixonado , e isso tem me assustado com toda força, porque não tenho mais aquela capacidade de ser de outra pessoa , e não é conversa de alguém desiludida, eu só sei que não vai ser mais como era, não tem como, eu sei, mais eu juro, eu queria sentir aquilo pelo menos mais uma vez na vida, mais eu estou muito realista pra isso. Eu só queria saber se há oura forma de amar, uma forma mais fácil quem sabe, menos dolorosa talvez. Mais não posso não mais sentir, tenho medo de não sentir, porque mesmo doendo, era o que me fazia permanecer viva.
Ele não pode ter roubado a minha capacidade de amar, sei que é loucura, mais eu preciso sofrer por alguém novamente, só assim saberei se o amor é possível de novo e de novo, o ponto é, se o amor é algo definido e único, ele pode ressurgir mais uma vez? Talvez esse seja o grande enigma, enigma esse que nós pobres mortais jamais conseguiremos entender ou explicar, porque só quem sente essa dor rasgando o peito, sabe do que eu estou falando. Mas bem queo amor poderia dar certo ,só pra variar 

Muito bom para ser verdade


Tem o típico do cara que é incrivelmente lindo, um moreno alto de olhos sedutores que você conheceu na academia, forte com uma barriga de tanquinho, ele sorri e você nota as covinhas, é o tipo do cara muito bom pra ser verdade é aquele que por onde passa faz todas as garotas suspirarem e logicamente te interessou de cara, ele é de escorpião e você de gêmeos, trocam celulares, ele é mais velho, mais maduro parece ser mais cabeça, em busca de um relacionamento serio, enfim, faz o seu tipo. Marcam de se encontrar, você passa o dia inteiro no cabeleireiro para aparecer a altura dele, passa horas na frente do espelho a procura do melhor vestido, acaba escolhendo um vermelho nem longo e nem curto com um decote comportado.
O lugar marcado é incrível, romântico, amplo e a música de fundo é lenta, chega mais cedo, para não fazer feio, senta na cadeira, e fica com a perna balançando o tempo inteiro de tanta ansiedade, sente um friozinho esquisito na barriga, como se fosse uma adolescente boba no seu primeiro encontro. Dalí uns dez minutos ele chega e todo mundo para pra ver aquele deus grego entrar, ele senta na mesma mesa que você senta e o perfume dele é suave, lhe serve o melhor vinho que você já experimentou, a noite parece linda, até mais estrelada, ele sorri o que deixa as suas pernas completamente bambas, você pensa ser a pessoa mais sortuda do mundo, até que chega o momento que ele tem a proeza de abrir a boca e estragar toda a imagem do cara incrivelmente maravilhoso que você imaginou. Não que ele seja burro, mas é mais preferível conversar com uma porta, é o papo mais idiota que você já teve, ele não dá uma dentro, é um daqueles babacas mulherengos, estúpidos, como um corpo tão lindo e estrutural pode ser tão desprovido de neurônios, lógico, química zero entre vocês quando ele conta que nunca namorou, você entende o motivo, e tenta parecer surpresa, da uma risadinha amarela, e mais uma vez quebra a cara. É minha amiga nem tudo que reluz é ouro. Sai sem saber se ri ou chora é o encontro mais estranho da sua vida, seria cômico se não fosse trágico.
Dias depois ele te liga você sempre tem uma boa desculpa na ponta da língua para não saírem, sente pena, e meio ridícula por dispensar um Brad Pitt da vida, mais um Brad Pitt sem cerebro convenhamos, enfim, é um desperdício só, mas os burrinhos que me perdoem mais inteligência é fundamental. Ninguem vive do casco pra sempre, saiba fazer uma boa escolha. O pior cego, é aquele que enxerga com os olhos, beleza se vai com o tempo, mais a essência é o que fica, e isso ninguém tira, e isso é tudo.

Não,não pare!


Tem coisa mais chata que esperar? Esperar o ônibus, que só sabe aumentar a passagem e acabar com a minha pouca paciência, esperar o novo amor chegar, esperar a gente esquecer o antigo, esperar a hora do almoço pra poder descansar. Ando muito entediada e farta de ficar só na espera, sentada, com a bunda quase quadrada, é que eu simplesmente não engulo essa história de que as coisas tem o seu tempo pra acontecer, e que cabe a nós esperarmos, NÃO, não me entra na cabeça, não aceito cruzar os braços e me conformar com o caos que está a vida, por favor não se irrite com a minha cabeça dura mas eu tenho muita preguiça desse povo que só sabe dizer, “calma guria, o que tiver de ser será”, por favor, não me venha com esse papinho sem fundamento, pode ser muito mais confortável apenas aceitar, podemos achar bonito ficarmos todos parados esperando o tempo ou o senhor destino colocar dinheiro e sucesso nas nossas mãos, mas e se eles não derem conta de te fazer alguém?

Você é reconhecido quando finalmente deixa de fazer, mais é quando você resolve fazer que as coisas acontecem, então corre filho, sua vida não está escrito nas estrelas, você segue o caminho que quer, você é quem escolhe, porque não adianta colocar tudo nas mãos de Deus se você não pretende andar pra frente. Você escolhe entre sentar e estudar a cura da AIDS ou se conformar que não existe cura, ou você acha que uma pessoa que chega a descobrir essa façanha pensava que o destino dela era fazer a tal descoberta? Não, ela fez por onde conseguir. Não concorde, não se acomode, queira mais, faça a diferença!