terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Um cheiro
E essa coisa toda de deixar um "cheiro" ao invés de um beijo, às vezes confunde muita gente. Por aqui, no nordeste, usa-se muito isso. E de onde veio esse costume já foi muito especulado, mas creio eu que ainda não haja uma boa explicação.
Os esquimós têm o beijo significando cheiro, como nós. Lá, como já é sabido, eles roçam os narizes. Mas ainda não é como o nosso. Dizem porém que tudo surgiu na China, onde eles de fato, aspiravam não só as pessoas, como também as coisas. Cheiravam moedas, por exemplo, para descobrirem a qualidade (como assim??)...
Por aqui, acho que a coisa é mais "poética". Não seria exatamente um beijo sem lábios, mas um beijo que absorve também o cheiro do objeto do nosso afeto. Ah sim, devo esclarecer pois, que o cheiro em toda a sua completude, só é dedicado mesmo a quem se tem muito afeto e ternura. Não se dá cheiros em qualquer um. E "dar cheiros" é uma expressão meio... redundante?! Concordo, já que na prática ninguém dá cheiro em nada, apenas sente-se, podendo-se até deixar cheiros, no sentido de odores que se espalham.
O cheiro daqui e que eu tanto dissemino entre vocês, é um hábito de muitos. Na minha opinião é mais abrangente do que o beijo convencional, pelo fato de que além de tocar a pessoa com os lábios, encostamos o nariz também. E como já disse, é um gesto de mais intimidade e carinho. É comum, as mães fazerem isso nos cabelos dos filhos, por exemplo. É um gesto muito afetuoso. Esperamos, contudo que esetejam todos sempre muito cheirosos para evitar qualquer "desconforto" nasal...
E fazendo votos de que estejam vocês também muito perfumados - deixo muitos e muitos cheiros pra vocês. *Sintam-se todos então, devidamente "aspirados e beijados" por mim.*
Venceslau de Morais registra em Traços do Oriente (19-21, Lisboa, 1895) a origem do "cheiro": - "os chineses não dão beijos... Não dão beijos, ou dão-nos de uma maneira muito diferente da nossa, sem o uso dos lábios, mas aproximando a fronte, o nariz, do objeto amado, e aspirando detidamente... O china beija o filhinho tenro, beija a face pálida da esposa, como ele é nós beijamos as flores, aspirando-lhes o perfume; a assimilação é graciosa... Tendo agora por conhecida, e é coisa que não se contesta, a extrema agudeza olfativa dos chineses (os negociantes cheiram as moedas de ouro que julgam falsas, e assim conhecem o grau maior ou menor da liga de cobre), podemos talvez conceber uma vaga idéia do prazer da mãe, respirando sobre a carne fresca do filho um ambiente que ela não confunde como outro; o prazer do mandarim apaixonado, conquistando à brisa o perfume de uns cabelos negros, que ele aprendeu a adorar."
Fonte: Jangada Brasil
Os esquimós têm o beijo significando cheiro, como nós. Lá, como já é sabido, eles roçam os narizes. Mas ainda não é como o nosso. Dizem porém que tudo surgiu na China, onde eles de fato, aspiravam não só as pessoas, como também as coisas. Cheiravam moedas, por exemplo, para descobrirem a qualidade (como assim??)...
Por aqui, acho que a coisa é mais "poética". Não seria exatamente um beijo sem lábios, mas um beijo que absorve também o cheiro do objeto do nosso afeto. Ah sim, devo esclarecer pois, que o cheiro em toda a sua completude, só é dedicado mesmo a quem se tem muito afeto e ternura. Não se dá cheiros em qualquer um. E "dar cheiros" é uma expressão meio... redundante?! Concordo, já que na prática ninguém dá cheiro em nada, apenas sente-se, podendo-se até deixar cheiros, no sentido de odores que se espalham.
O cheiro daqui e que eu tanto dissemino entre vocês, é um hábito de muitos. Na minha opinião é mais abrangente do que o beijo convencional, pelo fato de que além de tocar a pessoa com os lábios, encostamos o nariz também. E como já disse, é um gesto de mais intimidade e carinho. É comum, as mães fazerem isso nos cabelos dos filhos, por exemplo. É um gesto muito afetuoso. Esperamos, contudo que esetejam todos sempre muito cheirosos para evitar qualquer "desconforto" nasal...
E fazendo votos de que estejam vocês também muito perfumados - deixo muitos e muitos cheiros pra vocês. *Sintam-se todos então, devidamente "aspirados e beijados" por mim.*
Venceslau de Morais registra em Traços do Oriente (19-21, Lisboa, 1895) a origem do "cheiro": - "os chineses não dão beijos... Não dão beijos, ou dão-nos de uma maneira muito diferente da nossa, sem o uso dos lábios, mas aproximando a fronte, o nariz, do objeto amado, e aspirando detidamente... O china beija o filhinho tenro, beija a face pálida da esposa, como ele é nós beijamos as flores, aspirando-lhes o perfume; a assimilação é graciosa... Tendo agora por conhecida, e é coisa que não se contesta, a extrema agudeza olfativa dos chineses (os negociantes cheiram as moedas de ouro que julgam falsas, e assim conhecem o grau maior ou menor da liga de cobre), podemos talvez conceber uma vaga idéia do prazer da mãe, respirando sobre a carne fresca do filho um ambiente que ela não confunde como outro; o prazer do mandarim apaixonado, conquistando à brisa o perfume de uns cabelos negros, que ele aprendeu a adorar."
Fonte: Jangada Brasil
Simplicidade
Em trajes "desimportantes"
O mar. Um beijo. Um carinho. Beleza. Um sorriso. Cores. Saúde. Juventude. Amor. Alegria. Ternura. Amizade. O sol. A chuva. Um sorvete. Uma carta cheia de afeto. Coisas aleatórias, mas perfeitamente conectadas entre si sem que ninguém perceba direito. De um certo modo, simples, "desimportantes" até... Nem todos têm. Nem todos podem tê-las. E quem pode, nem sempre compreende o valor implícito nas entrelinhas da simplicidade.
Às vezes, até afastam-se lentamente de cada uma dessas coisas. E então, elas viram nostalgia. É quando passam a desejar tudo o mais que o tempo não traz de volta. O tempo não espera ninguém. E nem sei se poderia ser rotulado como cruel ou impiedoso por isso. Talvez não. Ele apenas cumpre bem o ritmo que lhe é peculiar e não se permite distrair por nada.
As pessoas não. Frequentemente interrompem o ritmo de suas vidas. Acelerando-se ou demorando-se mais do que deveriam. E é assim que muita coisa se perde ou, ganha uma ênfase desnecessária. Cada coisa a seu tempo, é o que dizem. Infelizmente nem sempre isso fica claro, nem sempre o tempo certo de cada coisa é percebido. Uma arrogância ingênua parece se apoderar de cada uma das pessoas, porém agindo distintamente. Agindo de acordo com cada uma das necessidades e fraquezas. É isso que impede cada um de enxergar o pano de fundo da história. Enxerga-se somente o que se sobressai, a camada mais superficial. Dá menos trabalho e é mais rápido.
Mas o melhor é nunca subestimar aquilo que se estampa discretamente em meio a cada coisa do dia-a-dia. É. Geralmente, o que importa mesmo, o que é essencial, traja-se de"desimportância" - talvez para passar despercebido pelos leigos da vida. São as peças que a vida prega. E é aí que podem estar as respostas...As nossas respostas... Quem sabe?!
Nada de cara metade
Pode ser que descompasse o coração. E dilatem-se as pupilas. Em alguns casos, as mãos também ficam trêmulas. Pensa-se em desatinos e às vezes, até se comete muitos deles. E pode haver desequilíbrios diversos. É tudo cheio de eufóricas confusões de sentimentos. E tudo fica tão desarrumado. Pode ser sinônimo de distância e de impossibilidades. Dificuldades. Ausência. Lágrimas. Pode ser tão complicado. Mas também pode ser que não.
Pode ser que irradie tranquilidade. E que seja a causa de o coração estar no compasso perfeito. Um afago nos cabelos até que o sono chegue, se derramando em sorrisos. Pode ser que apenas um roçar de pés por baixo das cobertas seja a forma mais sutil e feliz de encerrar os dias, num silêncio mais significativo que tantas outras palavras. É. Pode ser sinônimo de proximidade. Acolhimento. Pode ser uma rotina cheia de beleza.
Pode ser sinônimo do que toma conta das tuas flores. Que troca as lâmpadas. Que cuida da comida. Pode ser que possua olhos que interpretem teu rosto como um poema - em versos livres ou não. O que importa é que seja poético e sem monotonias. Pode ser forte e doce. E pode ser que nunca desista. Mesmo quando você já desistiu faz tempo. Pode ser tão intensamente quieto e tão ameaçadoramente terno.
Seja como for, sempre surpreende. Sempre deixa os dias mais coloridos. E eu adoro cores. Em contrapartida, o cinza está lá. E ele desnuda as cores, muitas vezes. É compreensível e inevitável. Não se vive só de adereços, cores e abraços. Também existem os desafetos. As palavras sem muita beleza. As pausas e muitas vezes, o retrocesso. Muita gente não compreende isso.
Mas as pessoas são diferentes e a forma de sentir também. E ele tem muitas nuances e mistérios. No entanto, não acho que o tal amor seja tão complicado assim. Basta que seja completo e que haja inteiros ao invés de frações. Eu não gosto de me sentir um terço de nada, ou a metade. Eu fujo das frações. E faz tempo que deixei de achar que somos "metades" em busca de uma perfeita simetria. Não acho. As incompletudes desse tipo impedem uma compreensão coerente e sã das coisas. Geram dependências erradas, equivocadas. E lacunas assim, devem estar bem preenchidas, senão o amor fica doente em breve e vira outra coisa. Muitas vezes, resulta no antagonista perfeito do antigo amor. O que é uma pena, mas acontece muito.
É claro, os românticos torcerão os narizes, com essa coisa toda de não se buscar uma "cara-metade", mas como já disse, cada um tem um jeito diferente de perceber a vida, e isso não foge aos amores. Eu ainda prefiro algo inteiro do que só a metade, ou um fragmento. Além do mais, eu nunca fui do tipo que enxerga "coraçõezinhos" desafiando a gravidade ao meu redor. Nunca mesmo.
Se é certo ou errado?! Não sei. Pode até ser que mude um dia, afinal, intransigência não está entre os meus tantos defeitos, mas por enquanto, prefiro ser um inteiro do que fragmentos ou secções do que quer que seja. E até aqui tem dado certo, mas depois, quem sabe...?!
Carpe diem
A memória da gente registra tanta coisa. A minha é meio seletiva. Me parece que eu tenho uma certa tendência a "esquecer" fatos desagradáveis. Os irrelevantes, nem sempre. Os super valorizados pela grande maioria me causam pouco efeito. E por isso, me acham esquisita. Eu sei e nem ligo mais.
Uma realidade paralela como na Matrix. É como defino os "esconderijos" da minha memória. E como as letrinhas que caem na Matrix, vez ou outra eu fico vendo as minhas memórias desfilarem à minha frente. E eu "vejo" muita coisa. O pé de seriguela no quintal do meu avô. Desenho de sol no chão um dia antes de ir à praia. Os finais de tarde em frente ao Sítio do Pica-Pau Amarelo. Os atrasos ao meio-dia para terminar de ver He-man (ou She-ra) no Balão Mágico. O Trem da Alegria. Domingo no Parque. Bambolê (eu até fui campeã na minha rua). Pular corda e elástico. Minhas bonecas lindas. A coleção Moranguinho. Um Aquaplay. Um mini-liquidificador que fazia vitaminas de verdade. A Susy noivinha. Um Pogobol. A Gata Comeu. As freirinhas do colégio que me puxavam as orelhas (às vezes, literalmente... rs). Legião Urbana. As coisas que Adelaide, minha anã paraguaia, me disse, foram substanciais. Uma Barata chamada Kafka. O Coquetel de Tom Cruise era incrivel. Step by step alcançava-se o inimaginável junto aos New Kids on the Block... rs rs Biquini Cavadão fez até uma Carta aos Missionários...
Coisas simples, sem sentido, aleatórias. Isoladamente, claro. Porque em conjunto fazem todo o sentido do mundo, ou pelo menos do meu mundo.
E eu sou a soma de cada uma dessas coisas. Elas vivem em cada detalhe meu. Elas fazem meu coração sorrir até hoje. E me arrancam sim, suspiros nostálgicos. Mas acho que elas devem ficar lá atrás mesmo. É essa a graça. É esse o encanto. O motivo de serem especiais. Elas são o pano de fundo das coisas ditas "importantes". Pemeiam a minha infância, minha adolescência e minha vida adulta. E fico muito feliz em ter vivido cada uma dessas coisas. Só me fazem lembrar a singularidade de cada momento.
São pensamentos melancólicos. Talvez. Mas o fato é que eu procuro extrair a essência de cada coisa, mais ou menos como fez Grenouille (em O Perfume), não no mesmo estilo, claro...rs rs
E acho que captei muito bem a mensagem do Prof. Keating (em Sociedade dos Poetas Mortos) quando ele dizia: Carpe Diem.
Coisa Minha
A realidade às vezes é esquisita (?!)
As coisas que o mundo tem. As dores que vêm e voltam. Os humores que se esvaem e se purificam. Os sorrisos meio enevoados pela fuligem da vida. O sol nascendo todas as manhãs. As lágrimas rolando dentro dos átrios de um coração. Tantas vezes invisíveis. Uma estrela cadente ao longe e uma certa descrença na realização daqueles pedidos.
As flores dançando ao vento e extravazando o perfume. Ah sim, os perfumes. Eles encaixotam lembranças. Algumas das minhas têm um cheiro tão forte que parece palpável.
Um guarda-chuva rosa com desenhos de Tom e Jerry e bolinhas nas extremidades. Uma casinha azul com telhado duas águas e um grande quintal. O sorveteiro buzinando de tarde. Um cheiro de mato e de café fresco. Agora ficou meio confuso. É quando o sonho se mistura com a realidade e aí tudo fica meio embaçado. Ainda mais se ela - a realidade - estiver na forma verbal pretérita.
As coisas que o mundo tem, a vida tem e o nosso coração também. Inexplicáveis. Simples. Complexas. Coloridas. Monocromáticas. Assintomáticas ou não. Silenciosas. Ensurdecedoras. Sempre se findam, mas nem sempre a gente se lembra de como começaram. E muitas vezes o começo é a chave de tudo. É onde tudo se enraiza. É a partir dele que se criam os ramos.
Enfim, acho que me perdi. Eu pensava falar das coisas que o mundo tem, mas falei do meu mundo. E talvez uma coisa seja como a outra. E "filosofar" não é um das minhas melhores atribuições. Mas de vez em quando é inevitável. Ainda que não seja lá uma grande filosofia. E isso pra mim tanto faz. Eu não almejo o Nobel.
Esse mix de coisas foi um sonho, na verdade. Ao menos foi o que pareceu no início. Depois me identifiquei em muitas dessas situações, como o guarda-chuva rosa. Ele me pertencia na infância.
E isso me fez pensar, relembrar e por um instante, reviver. A realidade às vezes é esquisita. Como eu...
Indiferença
Nesse caso: indiferença
Repercutiu de maneira extraordinária a forma como uma certa moça de São Paulo, proferiu palavras agressivas e pejorativas contra nós, nordestinos. Achei que alardearam demais da conta. Afinal, isso acontece todo dia, toda hora. Não é novidade que somos sim, alvo de preconceito Brasil afora. Alguns nordestinos sentindo-se magoados demais, inflamaram-se e proferiram afrontas, devolvendo de forma leviana os impropérios recebidos. Não acho certo. Gente assim quer isso mesmo: aparecer. Prefiro, nesses casos, a indiferença.
Eu não sou a favor de generalizações, confio em exceções, acredito que as pessoas são diferentes e devem sê-lo mesmo. Não é porque ela fez aquilo que vou desenvolver um ódio mortal por todos os seus conterrâneos, ou coisa do tipo. Não. Por que motivo ela representaria uma unanimidade de opiniões tão perfeita assim?! De fato, os comentários dela e dos que compactuaram com ela são estarrecedores e medonhos. São horrorosos no que diz respeito à condição de gente, pessoa humana, civilização. Deploráveis mesmo. Mas, não sou do tipo preconceituosa. Isso sim, é uma ideia arcaica e provinciana, ou pelo menos deveria ser...
Apesar de extremamente ofensivos, na verdade senti pena deles. Da desinformação, da ignorância proeminente em cada um dos comentários lidos por mim lá no Twitter. Alguns, nem sequer escreviam corretamente em sua própria língua mãe. Então, o que esperar de gente desse calão?! Pelo jeito, eles acham que por aqui não chegou nem eletricidade ainda.
Nós podemos ser uma região pobre e castigada, mas por aqui tem muita gente que lê também, existe vida inteligente em meio ao nosso desfavorecimento social e econômico. E eu não preciso ficar lembrando as inúmeras contribuições que o Nordeste já deu para o resto do Brasil, em diversas áreas, aliás. Acho desnecessário. Porque queiram eles ou não, saibam eles ou não, está aí pra quem quiser ver.
Eu fiquei verdadeiramente penalizada com a desinformação de pessoas com "autoestima" tão elevada e superior. E mais uma vez, repito: não estou generalizando região A ou B, falo exclusivamente deles, mente pequena e sem profundidade. Eu sei que também tem muita gente boa por aí afora. Mas deles, sinto pena.
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